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Sexta, 24 de Julho

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FUNDO DO BAÚ

Aos 100 anos de vida Biléca ainda trazia no pescoço o brebe que sempre o livrou das cobras

O poder mágico dos brebes

 Ainda nos dias de hoje, 2005, Biléca manteve consigo uma grande herança cultural dos índios brasileiros e dos negros africanos, que usou patuás e amuletos para espantar cobras e outros animais peçonhentos. Biléca tem um brebe poderosíssimo.

 Tendo vivido em meio a recantos inóspitos por quase toda a sua existência, principalmente na região da Costeira, muito famosa até os dias atuais pela abundância de cobras ali encontradas. Biléca podia dizer com convicção que o seu brebe realmente funcionou. Ele nunca foi picado pelas peçonhentas, embora não tenham faltado oportunidades para isso.

 O brebe nada mais é que um amuleto confeccionado artesanalmente. Consiste de um tecido costurado a mão, formando uma espécie de travesseiro. Em seu interior existe um manuscrito com a oração das cobras, enrolado em uma pequena imagem de Santo Antônio. Essa imagem é de gesso e tem uns quatro ou cinco centímetros de comprimento. O brebe é amarado a um cordão que o protegido leva consigo pendurado no pescoço.

 Muitos consideram o uso do brebe uma superstição tola e Biléca até admite que nem tudo mundo usava esses amuletos. Esse costume era uma prática somente dos que acreditavam que assim estariam protegidos contra mordida de cobras, escorpiões, aranhas e de outros animais rasteiros. O brebe também era usado por alguns pescadores como prevenção aos naufrágios e outros perigos do mar. Para alguns é uma arma infalível.

 Não é qualquer pessoa que sabe fazer um bom brebe e para ser achar alguém com este poder às vezes é preciso ir longe. Por volta de 1930 havia um especialista nesta milenar arte: era Zé Cipriano, um morador da Praia Vermelha. Zé Cipriano não cobrava para fabricar o brébe, mas a tradição mandava o protegido dar um mimo quando recebia o amuleto.

 Assim que regressou das Forças Armadas e começou a trabalhar no mato, Zé Cipriano recebeu uma boa gorjeta do Biléca para produzir o poderoso talismã, que ainda hoje o protege. O brebe fica guardado na gaveta da casa, pois Biléca hoje não anda mais nas florestas. Contudo, se um dia ele tiver que voltar a caminhar no mato, o amuleto retorna para o pescoço.

  •  De acordo com Biléca, o teor da oração que se encontra dentro do brebe é o seguinte:

 Meu São Bento

 meu São Bento

 me livrai de todos os bicho

 peçonhento e ressoneto.

 Em nome da minha mãe

 Santíssima Trindade

 mãe de Jesus Cristo

 meu poderoso pai.

 Em nome do Pai, do Filho

 e do Espírito Santo

 amém.

  •  Em seus relatos Biléca também contou que ao entrar na mata, mesmo usando o seu poderoso brébe, tinha ele o hábito de fazer esta breve oração:

 São Romão tem ramo

 e cabeça em Portugal.

 Nos livre dos bichos achados

 E os que estão por achar.

 O morto do mau encontro

 o vivo do mal perigo

 são Romão comigo

 Este texto foi extraído do livro "Bileca- O Filho da Costa Esmeralda", de Edson Carvalho Bayer e Leopoldo Barentin, lançado em 2006. Nele você poderá ler esta e outras boas histórias que permeiam o final do século XIX e XX. Adquira seu exemplar na secretaria do Jornal Razão, por apenas R$ 30,00. Ligue 48 98453 0809.


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