21/07/2017 às 17h17 - Atualizado em 21/07/2017 às 17h30

A experiência de um motorista cheio de história

TIJUCAS
BALUARTE. Valdir Leal trabalhou mais de 30 anos como condutor de ônibus

“Quando estava no volante sempre pensava no bem-estar dos meus passageiros. Procurava da melhor maneira proporcioná-los uma viajem tranquila e principalmente segura”

O Dia do Motorista é comemorado anualmente em 25 de julho – estabelecido pelo decreto nº 63.461, de 21 de outubro de 1968. Esta data é uma homenagem aos profissionais que trabalham com o “pé no acelerador e no freio”, seja transportando mercadorias ou pessoas por diversos lugares do País. Nesta passagem, as cooperativas de motoristas de cada estado organizam campanhas de conscientização para que a população e condutores saibam da responsabilidade do ato de dirigir.

A comemoração acontece no Dia de São Cristóvão, santo católico considerado o padroeiro dos motoristas no Brasil. Cristóvão significa "aquele que carrega Cristo". Segundo a lenda, São Cristóvão queria servir o rei mais poderoso da terra e assim decidiu venerar o diabo. No entanto, durante uma viagem, conheceu um ermitão que mostrou ser Jesus
Cristo o "Rei dos Reis" e a entidade com mais poder no universo.

Dali em diante Cristóvão abandonou a vida de luxos e maldades para seguir a "Palavra de Cristo". Trabalhou durante muito tempo transportando pessoas nas costas para que pudessem atravessar um rio. Certa vez, colocou um menino nas costas e a cada passo que dava o seu peso ia aumentando. Cristóvão então disse:
"Parece que estou carregando o mundo nas costas", então o menino respondeu:
"Tiveste às costas mais que o mundo inteiro. Transportasse o Criador de todas as coisas. Sou Jesus, aquele a quem serves". Assim, passou a ser conhecido como o protetor e padroeiro dos viajantes e motoristas.

As regiões do Vale do Rio Tijucas e Costa Esmeralda possuem milhares de motoristas profissionais. São na grande maioria condutores de táxis, caminhões, carretas, ambulâncias, ônibus, viaturas policiais, bombeiros, automóveis do poder público, entre outros que ganham a vida com muita dedicação e amor pela profissão.

Um guerreiro da estrada
O tijuquense Valdir Leal (85 anos), natural da comunidade do Timbé, é filho de Manoel José Leal (Neca Leal) e Pautília da Silva Leal (Dona Lulu), ambos já falecidos. Valdir iniciou sua carreira na área dos transportes aos 20 anos como cobrador de ônibus na empresa Rodoviária Expresso Brusquense. Foram alguns meses dedicados ao ofício até receber a primeira oportunidade para atuar na função de motorista. Ele conta que naquela época não havia tanta exigência ou um curso profissionalizante para exercício da atividade.
“Eu era um cobrador esforçado, gostava muito de atuar na função. Porém, quando recebi a oportunidade para ser motorista foi amor a primeira vista”, relata.

Casado com Maria da Graça Baixo Leal, Valdir tem dois filhos: Andrey e Andreia Leal. O experiente seu Valdir trabalhou em conceituadas empresas do Estado, com destaque para a Viação Catarinense e a Reunidas.
“Tive o prazer de trabalhar em grandes empresas. Não tenho o que reclamar dos meus patrões. Meus supervisores sempre foram ótimas pessoas que me ensinaram muitas coisas boas”, comenta.

O carisma do ex-motorista é encantador. Segundo ele, a alegria estampada em seu rosto nos dias de hoje é a mesma que a do tempo em que percorria as estradas do Estado conduzindo passageiros. Dificilmente algo o incomodava, a espontaneidade faz parte da sua identidade. Apesar do jeito brincalhão, ele sempre levou o trabalho muito a sério. Leal ressalta que ser condutor de ônibus é uma grande responsabilidade, é necessário ter muita atenção e cuidado.
“Quando estava no volante sempre pensava no bem-estar dos meus passageiros. Procurava da melhor maneira proporcioná-los uma viajem tranquila e principalmente segura”, conta.

Valdir está aposentado desde 1986. No entanto, após assinar a aposentadoria atuou por mais um período. Inicialmente como motorista da Prefeitura Municipal e depois como motorista do ônibus do extinto Tiradentes Esporte Clube, onde seu papel era conduzir atletas e comissão técnica da equipe profissional e das categorias de base. Somados são mais de 30 anos de profissão que o trazem marcantes recordações, entre elas a de uma vez em que cobrou de um sitiante duas passagens para levar no bagageiro duas novilhas até Blumenau no ônibus da Reunidas. Chegando lá o supervisor gostou da iniciativa, afinal eram mais duas passagens, mas quando abriram o porta-bagagens o desespero tomou conta de todos: as duas rezes vieram largando barro verde no bagageiro e as bolsas e malas viraram esterco puro de vaca. Foi uma das cenas do inferno que Dante Alighieri não teve tempo de pintar.
“Foram muitas histórias. Milhares de pessoas que conheci e fiz amizade. Eu gostava muito do que fazia, sinto muita saudade daquele tempo”.

Atualmente, seu passa tempo favorito é brincar com os netos, os pequenos Gustavo – filho de Andreia, e Helena – filha de Andrey. A família sente muito orgulho do consagrado motorista que quando se trata de dirigir não é nem um pouco modesto, afirma ser o melhor da casa: “Se me derem um ônibus ainda faço o mesmo serviço. Afinal, é igual bicicleta, você aprende a andar e jamais esquece”.

Uma mensagem
“Aos meus amigos motoristas deixo um fraternal abraço, meus sinceros parabéns a todos. Somente quem tá na estrada todos os dias sabe o quanto é perigoso a escapar dos marginais e conviver com a saudade da família, enfrentando as adversidades que aparecem, que Deus abençoe a todos. Nunca deixem de lutar pelos seus sonhos”, finaliza.
 

Foto: Lorran François Barentin/JR