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ESPECIAL

Começa a colheita em Tijucas

Na propriedade da família Zanette estão sendo colhidos frutos viçosos

Por Leopoldo Barentin

No dia 1º de janeiro de 2021 um fruto se desprendeu da parreira de maracujá nas terras de Avelino Santos Zanette, na estrada "dos Onório", na comunidade rural do Campo Novo. Para grande maioria das pessoas aquele fato passaria despercebido, mas para os primos Jedielson e Giovani era um aviso: estava na hora de começar a safra do maracujá, que eles plantaram no agosto último.

O maracujá é uma cultura relativamente nova em Santa Catarina e tem-se mostrado uma alternativa a mais de renda para grande número de produtores rurais das regiões Sul e Litoral Norte do estado desde 1993. Antes disso se plantava maracujá, é evidente, mas muito pouco em escala comercial e industrial.


"Para alcançar bons números e lucrar com o pomar é só seguir as recomendações'"

O origem do fruto 

O maracujá (maracuiá), como é conhecido no Brasil, é palavra de origem indígena cujo significado é "comida preparada em cuia". Mundialmente conhecido como fruta da paixão (passion fruit, fruit de la passion), derivado de "Flos Passionis", por uma relação mística com a Paixão de Cristo. O maracujazeiro é uma planta trepadeira vigorosa da família da passifloráceas, que pode atingir de cinco a dez metros de comprimento. No Brasil, existem mais de 200 espécies conhecidas. No entanto, três apenas são cultivadas:

  • Maracujá amarelo (passiflora edulis flavicarpa)  
  • Maracujá doce (passiflora alata)
  • Roxo (passiflora edulis).  
  • Dessas, somente o maracujá amarelo tem expressão comercial.

Para alcançar bons números e lucrar com o pomar, os produtores rurais devem seguir algumas recomendações, como o cuidado com doenças, o uso de um sistema de sustentação adequado e até mesmo a polinização manual. Jedielson e Giovani seguem a risca essas regras.

"Eu tenho 25 anos e planto maracujá desde os 12. Aprendi o que não fazer numa plantação e para ter sucesso neste cultivo é só seguir as orientações técnicas e os exemplos que deram e estão dando certo", explica Jedielson.

Segundo o pesquisador da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) Ademar Brancher, antes do plantio, o agricultor deve escolher a área com muito critério, pois nem todas as regiões são propícias para o cultivo. Ele deve conversar com o técnico de sua região (Renato em Tijucas), com vizinhos que já plantam o maracujá e preparar a área com base em uma análise de solo. Com isso, ele saberá que tipo de adubação e correção são necessárias para a cultura.

Quando o assunto é correção do solo, o agricultor deve estar atento aos adubos corretivos, orgânicos e ao calcário. Na hora do plantio, o produtor deve usar mudas de qualidade que não sejam contaminadas por doenças, como a bacteriose ou nematóides. Além disso, se não houver umidade suficiente no solo, ele deve fazer irrigação. Já o plantio deve ser feito na mesma profundidade na qual a muda se encontrava no viveiro. 

O segredo do cultivo bem sucedido

O cultivo do maracujá tem-se mostrado uma alternativa para o aproveitamento de pequenas áreas e para diversificação da produção em propriedades como a dos Zanette. As flores do maracujá amarelo, principal espécie cultivada no estado, abrem após as 12 horas e permanecem abertas somente até o anoitecer, quando fenecem, sendo curto, portanto, o seu tempo de polinização.

Há necessidade, portanto, de cuidados adequados com respeito a manejo, prevenção e controle de doenças e pragas, escolha do terreno, procedência de sementes e mudas, rotação de cultura, etc. Em Santa Catarina as principais pragas do maracujazeiro, segundo informações fornecidas pela estação experimental da Epagri , são percevejos, lagartas e broca dos frutos e as principais doenças são antracnose, verrugose e bacteriose. Elas ocorrem devido às condições climáticas favoráveis às doenças, à falta de cuidado com a procedência das sementes e mudas, a tratamentos fitossanitários inadequados ou insuficientes para controlar o problema. Em Santa Catarina, onde foi instituído o vazio sanitário, pelo qual os pomares de maracujá não podem ter plantas na terra durante o mês de julho, o ideal é plantar até o mês de agosto para que o ciclo produtivo se estenda ao máximo. Os frutos levam cerca de 80 dias para se desenvolver desde a polinização até o amadurecimento. Para garantir maior produtividade e melhor qualidade dos frutos, é necessário que as plantas sejam conduzidas por um sistema de sustentação tutorado, pois não tem tronco para se sustentar. O sistema do pomar dos Zanette tipo de sistema de sustentação é a parreira latada, ou caramanchão, como o usado por Giovani e Jedielson. Este sistema, normalmente, consiste em palanques de madeira e bambu, ou eucaliptos, fixados no solo em forma de linhas; entre eles são esticados arames cruzados que formam uma espécie de "telhado" de arame. A latada possui algumas vantagens, como maior produtividade, menor custo com capinas, maior proteção dos frutos contra o sol e coloração mais uniforme da casca do fruto.

Obedecendo-se esses conselhos e plantando mudas novas todos os anos o produtor só precisa contar com a boa vontade de São Pedro", brinca Giovani.

Rentabilidade

De acordo com os primos Geovani e Jedielson, a rentabilidade de uma lavoura de maracujá depende obviamente que da produtividade, que começa com a escolha de um bom terreno e a observância das técnicas modernas de plantio. Eles, em apenas um hectare e meio, terão uma excelente renda.

Nesta área de um hectare e meio os jovens empreendedores tem 2.200 pés de maracujá plantados. Eles trabalham com a estimativa de uma produtividade de duas caixas de 12 quilos por planta. Logo, teríamos 4.400 caixas do precioso fruto ao final da safra.

Jedielson ressalta que sempre há uma queda de pelo menos umas 200 plantas, o que reduz a safra para 4.000 caixas. Hoje o quilo do maracujá está sendo vendido a R$ 4,00. No entanto no pico da colheita o preço deve estabilizar em torno de R$ 2,00 o quilo.

Isso representaria um faturamento bruto de aproximadamente R$ 96 mil por safra se o maracujá fosse todo de mesa.

Infelizmente o fruto é selecionado e somente uma parte é vendida para o Ceasa e mercados. O maracujá de segunda vai todo para as despolpadeiras, onde os frutos são transformados em polpa, suco, batida e em outros produtos, finaliza o entusiasmado, Jedielson. 

Contato dos produtores:  Jedielson 48 99843 5361 / Geovani 48 99812 1457




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