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Sexta, 20 de novembro

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Maternidade PET: cuidados durante a gestação e os primeiros meses de vida do filhote

Você sabia que gatos nascem sem a capacidade de ver ou ouvir e cães filhotes permanecem de olhos fechados por cerca de duas semanas?

A chegada de um filhote, seja de gato ou cão, na família é sempre motivo de grande alegria para quem deseja ter um pet. O amor humano-animal acontece desde o primeiro contato e os benefícios desta relação são inúmeros para ambos. Mas antes do pet chegar até um lar, alguns acontecimentos importantes se iniciam já previamente à gestação.  

Antes de uma cadela ou gata ficar prenha, é importante que elas estejam saudáveis, e que seu par para cruzamento também seja igualmente saudável. Trata-se de condições essenciais para que a ninhada tenha um bom começo de vida.

O Médico-Veterinário e proprietário da VET VALE, Vicente de Paula Neto, explica alguns cuidados e fatos curiosos sobre a maternidade pet e a trajetória do desenvolvimento de um filhote para que ele cresça forte e saudável.

  Filhotes a caminho e os cuidados com a mamãe 

A gestação de uma gata dura, em média, em torno de 65 dias, embora possa chegar a 72 dias. Durante os primeiros dois terços da gestação, o corpo concentra-se em ganhar gordura para desenvolver os filhotes e armazenar para a produção de leite. No último terço, todo peso que ela ganhar é proveniente do crescimento dos gatinhos. Na reta final, a fêmea pode apresentar mudanças no comportamento, como no apetite.

"É comum que a fêmea coma menos nesta fase porque os filhotes acabam comprimindo um pouco o estômago", explica Neto.

Durante a gestação, uma boa alimentação é de extrema importância para ajudar a garantir a saúde da mãe e o bom desenvolvimento dos filhotes. O Médico-Veterinário conta que uma cadela ou gata prenha, por exemplo, precisa de até 30% a mais de energia nesta fase, pois "os nutrientes ajudam na formação do feto e na produção do leite". Por isso, é fortemente recomendado que um Médico-Veterinário acompanhe todo o pré-natal e faça a indicação mais apropriada para o momento e condição de saúde.

Assim que chega ao mundo, o grande desafio do filhote é tornar-se autônomo para respirar, se aquecer e se alimentar. Para apoiá-lo e dar mais conforto à mãe, é importante preparar adequadamente a caixa de parto. A caixa de parto, ou "ninho", pode ser uma caixa plástica ou de outro material, revestida com um material absorvente descartável ou lavável (como jornal em tiras ou tapete higiênico) e aconchegante. Pode-se disponibilizar mais de uma caixa para as gatas muito seletivas. O ambiente deve ser extremamente tranquilo, livre de "curiosos", além de ter uma temperatura agradável e umidade apropriada. 

Nascimento da ninhada 

Os filhotes precisam mamar o mais rápido possível após o nascimento. Em vez de ingerir leite, se nutrem de colostro, uma substância produzida pela mãe que reforça e melhora o sistema imunológico. Outro cuidado importante após o nascimento é a pesagem.  

"Tão logo seja possível, é importante pesar os filhotes para ter uma ideia de sua condição de saúde. O peso de nascimento e a taxa de crescimento durante as primeiras 48 horas são parâmetros-chave para que se descreva a condição de uma ninhada e possíveis filhotes com risco de mortalidade neonatal sejam identificados", explica Neto.

Os gatos devem nascer com cerca de 2 a 3% do peso da mãe, fator que sofre influência de acordo com a raça, tamanho da ninhada e tempo de gestação. Nos primeiros dias, o peso aumenta diariamente em aproximadamente 10% do peso de nascimento, de forma que entre o 7º e 10º dias os gatinhos já possam estar com o dobro do peso que nasceram. Os machos, geralmente, são mais pesados e crescem mais rapidamente. Gatinhos nascem com cegueira e surdez temporárias. Eles procurarão a mãe para abrigo e nutrição.

Já os cães devem ter entre 1% e 5% do peso esperado do adulto no nascimento, número que pode variar de 70 a 700 gramas dependendo do porte, raça e sexo do filhote. Graças à nutrição fornecida pela mãe, ele rapidamente começará a ganhar peso e o peso que o filhote ganha nos primeiros dias é determinado pelo porte. Normalmente, os filhotes devem ganhar entre 5 a 10% do peso por dia nas primeiras semanas de vida.

"Um dos grandes momentos da maternidade é a amamentação. Mais que um carinho, trata-se de um dos cuidados fundamentais porque é nesse momento que o filhote recebe nutrientes e anticorpos essenciais para crescer. A amamentação termina, aproximadamente, entre a 3ª e a 8ª semana após o nascimento, mas o cuidado com a nutrição não", orienta Neto.

Os primeiros meses de vida

Por volta da quarta semana de vida, os cães já apresentam a visão e audição reativas à luz e ao som, respectivamente. Já os gatinhos, na 4ª semana o olfato está totalmente maduro e a audição está bem desenvolvida. Na sexta e sétimas semanas, os felinos começam a desenvolver padrões de sono de adultos e habilidades motoras.

Durante esse estágio, entre a 4ª e a 8ª semana de vida, ocorre a "janela de imunidade" quando o nível de anticorpos fornecidos através do colostro da mãe já não é mais suficiente para garantir a imunidade do filhote, mas também é alto demais para garantir a efetividade da vacinação, ou seja, o filhote fica mais vulnerável à doenças. O sono ajuda a fortalecer o sistema imunológico e, portanto, garantir que os filhotes tenham um lugar confortável e calmo para dormir é vital. Além disso, uma alimentação específica para essa fase de vida é necessária para estimular o desenvolvimento de suas defesas naturais e crescimento, através de nutrientes específicos.

Novo membro da família

Com o desmame feito, o filhote está pronto para encontrar uma família, além de ser imprescindível cumprir todo o protocolo de vacinação. A infância do pet é um momento extremamente gratificante para os tutores, mas também é um momento de enormes desafios e curvas de aprendizado acentuadas para o animal.

É importante frisar que a procriação intencional de cães e gatos deve ser realizada sob supervisão de profissionais, e com muito respeito às limitações do animal e visando sempre o bem-estar dele.

"Muitas pessoas acabam tendo um cão de raça, por exemplo, pensando em procriar e vender os filhotes. Fazer isso de forma caseira, sem as orientações e medidas necessárias, pode ser prejudicial para a saúde tanto da mãe quanto dos filhotes. Ao procurar por um filhote, é importante buscá-lo em ONG's ou Criadores confiáveis que sigam os mais rígidos protocolos de saúde e bem-estar animal. Isso é a base do conceito de posse responsável", alerta Neto.

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