Lorran Barentin

Herdeiro da Lenha na Fogueira e diretor do Jornal Razão. "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade".

Depósito de gente

Torcemos para que não vire um depósito de gente morta.

Depósito de gente

A Concha Acústica de Tijucas é provavelmente um dos melhores exemplos de mau uso do dinheiro público. Bem aqui do nosso lado. É só passar por ali e ver. 

Ela nunca serviu pra nada. Aliás, nem acústica ela é. Quando acontece algum evento naquela área, é preciso ocupar o restante do espaço, desconsiderando aquele elefante branco. Atrapalha, inclusive. Atrapalha a visão da Beira Rio. Atrapalha o brilho do Dino. Atrapalha o brilho da própria Beira Rio. 

Faz alguns anos que a Concha Acústica de Tijucas começou a ter, finalmente, uma função. Depósito de gente. 

Pessoas que precisam de ajuda. Moradores de rua. Dependentes químicos. Cidadãos ignorados. Muitos deles, é verdade, não querem sair dessa condição. Outros, não sabem nem onde estão. Alguns querem mudar. Querem uma vida melhor. Digna. 

Conseguem? Dificilmente. Alguém ajuda? Não sei. Eu tento, mesmo sabendo que aquele R$ 1 no semáforo provavelmente vai virar álcool ou crack. Existe um órgão cujo objetivo é ajudar essas pessoas em vulnerabilidade social? Acredito que tenha. Funciona?

A torcida, agora, é que esse depósito de gente não vire depósito de gente morta. Um morador em situação de rua morreu ali, ontem. O que será feito a respeito? Demolir o PacMan? 

É válido. Sou favorável. Abriria espaço, inclusive, para o projeto de uma ponte por ali. Conectando o Centro de Tijucas, muito mais rapidamente, até a BR-101. Vai melhorar muito o tráfego, resolver inúmeros problemas gerados por esse trânsito pesado e caótico que temos hoje em nossa cidade.

Mas não vai resolver o problema dos moradores de rua. O nosso problema. Afinal, a cidade é de todos nós e eles fazem parte da cidade. Será que removendo a Concha Acústica eles não irão, simplesmente, "migrar" para o antigo prédio dos Correios? Meu Deus! O prédio dos Correios. Continuará abandonado daquele jeito até quando? Será que ninguém vê? Saudades do Leopoldo. Ele, sim, enxergava. 

São perguntas simples. Reflexões que a gente faz no dia-a-dia. Afinal, somos cidadãos. Precisamos pensar e, também, agir.

Minha forma de agir é através do meu jornal. E, modéstia à parte, acho que faço um excelente trabalho.