Dias após conseguir um “salvo-conduto” da Justiça de Santa Catarina para voltar às salas de aula, o professor Jadir Ribeiro Anchieta, exonerado em 2024 e reintegrado por decisão judicial, voltou a protagonizar polêmica. Desta vez, o episódio ocorreu em uma escola estadual no município de São João Batista, no Vale do Rio Tijucas — e envolve novamente declarações políticas inflamadas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e parlamentares de direita.
Durante uma aula com alunos do 9º ano, Jadir respondeu a um comentário feito por uma estudante que disse sentir falta do ex-presidente. A reação do professor foi imediata:
“Não devemos ter saudade de quem promove tortura e torturadores.”
Ao longo da aula, ele ainda defendeu a prisão de Bolsonaro:
“Esses julgamentos por atentado à democracia vão levar essa gente pra cadeia. E com razão.”
Em tom provocativo, o professor também atacou a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que havia sido uma das parlamentares a denunciar seu comportamento anteriormente:
“Eu posso chamá-la de Barbie fascista. Já venci o processo. Ganhei no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Por unanimidade.”
As falas foram gravadas por um aluno, que decidiu registrar o conteúdo após presenciar comentários semelhantes em outros momentos. O vídeo foi mostrado aos pais e rapidamente se espalhou pela comunidade escolar, provocando revolta entre familiares de estudantes. Muitos se organizaram para pedir a saída imediata do professor da unidade de ensino, alegando que ele estaria doutrinando os alunos e transformando a sala de aula em palanque político.
Jadir ironizou as críticas e voltou a se amparar na decisão judicial que anulou sua exoneração:
“Eu tenho liberdade de cátedra. Posso expressar minha opinião. Foi isso que a Justiça reconheceu. Doa a quem doer.”
A polêmica mobilizou também lideranças políticas da cidade. O presidente do PL em São João Batista, Felipe Lemos, enviou uma manifestação formal à Secretaria de Estado da Educação cobrando providências urgentes:

“É um absurdo inaceitável. Esse cidadão já havia sido exonerado pelo Governo Jorginho Mello. Agora, por força de uma decisão judicial, está novamente dentro de sala de aula — atacando alunos, pais e representantes eleitos do povo.”
Jadir havia sido demitido em 2024, após ter sido gravado por alunos chamando Bolsonaro de “nazista” e dizendo a uma aluna que criticar Lula era “crime de calúnia” e que isso “dava cadeia”. O caso gerou forte repercussão e, à época, foi divulgado por parlamentares bolsonaristas, incluindo a própria deputada Júlia Zanatta.
No entanto, em decisão de julho de 2025, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou a demissão, alegando que a gravação foi feita sem autorização e que sua divulgação teve como objetivo constranger o professor. O relator do caso, desembargador Hélio do Valle Pereira, afirmou que “sala de aula não é campo para uma polícia ideológica”.