A proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e acabar com a escala 6 por 1 pode gerar forte impacto na economia de Santa Catarina. Um estudo apresentado nesta terça-feira 24, em Brasília, aponta que o estado pode perder cerca de 41,4 mil vagas de emprego nos próximos dois anos caso a mudança avance no Congresso Nacional.
Os dados foram levados à bancada catarinense e reforçam a preocupação do setor produtivo. A informação foi divulgada pelo colunista Renato Igor, que acompanhou a apresentação do levantamento em Brasília.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Gilberto Seleme, a redução da jornada sem corte proporcional de salários elevaria custos em setores estratégicos e reduziria a competitividade da indústria catarinense, especialmente nos mercados internacionais. Ele defende que o debate não seja conduzido de forma acelerada, sob risco de gerar consequências econômicas amplas.
Entre os segmentos mais vulneráveis estão alimentos e madeira, cadeias que concentram grande número de trabalhadores e têm forte presença nas exportações. Como competem com produtos estrangeiros em um ambiente sensível a preço, essas indústrias teriam pouca margem para absorver aumento de despesas.
O estudo projeta que as exportações catarinenses poderiam encolher 1,07% no período analisado. As maiores quedas seriam registradas nas vendas externas de carne de aves 3,3% e carne suína 3,1%. A madeira bruta poderia recuar 2,6% e os produtos de madeira 2,4%.
O impacto não ficaria restrito ao comércio exterior. A projeção indica retração de 0,6% no Produto Interno Bruto de Santa Catarina nos próximos dois anos. Apenas a indústria poderia encolher 1,15%, com a região Oeste liderando as perdas, estimadas em 1,39%. A análise considera tanto a redução das exportações quanto a possível perda de espaço para produtos importados no mercado interno.
De acordo com o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, a participação de importados no mercado brasileiro quase dobrou nas últimas duas décadas. Ele argumenta que reduzir a jornada sem ganho de produtividade pode resultar em menor produção e aumento de preços, ampliando a desvantagem frente a países que mantêm cargas horárias maiores.
A estimativa da federação aponta ainda para um aumento médio de preços de 2,64% em Santa Catarina. Na construção civil, o reajuste poderia chegar a 4,26%. Alimentos teriam alta de 3,6% e vestuário de 3,57%, com impacto direto no orçamento das famílias.
Outro efeito possível, segundo a entidade, seria a aceleração de processos de automação, especialmente na indústria, como alternativa para compensar a elevação dos custos com mão de obra.
O tema deve ganhar ainda mais força no debate político, já que a proposta de redução da jornada está em discussão no Congresso e tende a entrar no centro das eleições de 2026. Conforme noticiado pelo colunista Renato Igor, o setor produtivo catarinense busca mobilizar parlamentares para ampliar o diálogo antes de qualquer decisão definitiva.
Com Colunista Renato Igor / NSC