Tijucas vai inaugurar nas próximas semanas a Casa do Autista, um espaço público pensado para cuidar de cada criança de forma individual, respeitando o tempo, as limitações e as potencialidades de quem está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A unidade terá capacidade para atender até 200 crianças por mês, com cerca de 4.000 sessões terapêuticas mensais.
Na prática, isso significa que cada criança não será apenas “mais um número”. O atendimento será planejado caso a caso. Cada usuário terá acompanhamento contínuo, com sessões semanais, em média, de duas horas, voltadas às suas necessidades específicas. O foco está no desenvolvimento real do dia a dia, como comunicação, comportamento, autonomia, coordenação motora, socialização e aprendizado.
O trabalho será realizado por uma equipe multiprofissional integrada. Psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neuropsicólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, nutricionistas, profissionais de educação física, assistentes sociais e médicos vão atuar de forma conjunta, discutindo cada evolução, dificuldade e avanço. O objetivo é olhar a criança como um todo, e não apenas para o diagnóstico.

Cada criança terá um Projeto Terapêutico Singular (PTS). Esse plano funciona como um roteiro personalizado de cuidados, com metas claras, estratégias específicas e acompanhamento contínuo da evolução. O PTS será revisto ao longo do tempo, conforme a resposta às intervenções, garantindo que o tratamento não fique engessado ou automático.
A proposta foi construída com apoio técnico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que já desenvolve serviços semelhantes na região. A ideia é aplicar em Tijucas um modelo que una conhecimento científico, experiência prática e atendimento humanizado, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas com foco direto na realidade das famílias.
O atendimento será destinado a crianças de 0 a 12 anos, com ou sem diagnóstico fechado de TEA. A entrada no serviço ocorrerá por meio das unidades básicas de saúde, com triagem inicial e encaminhamento pela regulação do município. O tempo mínimo de permanência será de seis meses, podendo chegar a até um ano, conforme a necessidade de cada criança.

O projeto começou a ser articulado em agosto de 2025, por iniciativa do prefeito Maickon Sgrott (PL), quando o município anunciou a criação da Casa do Autista em parceria com a Univali. Desde o início, a proposta foi clara: não criar apenas um prédio, mas um serviço que funcione de verdade e faça diferença na rotina das famílias.
Com a Casa do Autista, Tijucas passa a oferecer atendimento especializado que promete reduzir a espera por terapias, diminuir a judicialização da saúde e garantir que crianças com autismo recebam acompanhamento contínuo, próximo de casa e com qualidade. A expectativa é que o espaço se torne referência regional no cuidado individualizado e humanizado às crianças com TEA.