A Analu Salgados completa seis anos de uma trajetória marcada por superação, fé e empreendedorismo em Tijucas, na Grande Florianópolis.
O negócio nasceu em um dos momentos mais difíceis da vida da família. Após uma perda financeira considerada devastadora, a ideia de trabalhar com salgados surgiu como uma tentativa de recomeço. “Foi um ato de desespero”, relata o fundador. Segundo ele, a decisão veio como uma “inspiração divina”. No começo, o plano era simples: apenas revender produtos. Mas a realidade mudou rápido.
A empresa foi inaugurada em 4 de fevereiro de 2020. Poucas semanas depois, em março, o Brasil entrou em isolamento por causa da pandemia da Covid 19. Com o comércio fechado e a incerteza tomando conta, surgiu a necessidade de se reinventar. “Ali eu vi que precisava produzir”, conta. Foi assim que começou a fabricação própria dos salgados, mesmo “sem experiência, sem equipamento e sem saber o que o futuro reservava”.
Ainda na fase de testes, a massa usada até hoje foi definida logo na segunda tentativa. “Era sobreviver”, resume. Não havia dinheiro, estrutura ou clientela. Para dar os primeiros passos, o empreendedor criou um grupo de transmissão no WhatsApp, reuniu todos os contatos conhecidos e enviou uma mensagem direta. “Abri meu coração e pedi ajuda”, relembra. O pedido era simples: comprar um kit com 20 salgados por 25 reais. Foi assim que surgiram os primeiros recursos para manter as portas abertas.

Outra estratégia inusitada foi oferecer café gratuito. “Às vezes não vendia um salgado, o pessoal só vinha tomar café e conversar”, conta. Mesmo assim, o movimento constante chamava atenção de quem passava pela rua. “Comércio com gente parece comércio bom”, diz. Aos poucos, os curiosos viravam clientes. Segundo ele, “quem come um salgado da Analu se apaixona”.
Toda a produção era feita de forma manual, na cozinha de casa. Muitas noites viraram madrugada para garantir salgados no dia seguinte. A rotina incluía filhos pequenos, dívidas acumuladas e a esposa grávida. A ajuda dela vinha depois do expediente como costureira. “Era só eu, Deus e minha esposa”, resume. Mesmo no auge da pandemia, quando tudo estava fechado e as pessoas estavam inseguras, o pequeno comércio dava seus primeiros passos.

O crescimento veio rápido. De uma sala simples e uma cozinha improvisada, a Analu Salgados passou a ter uma estrutura ampla, cozinha industrial e equipamentos de alta produção. Hoje, a empresa é reconhecida pela qualidade dos produtos e pela fidelidade dos clientes.
O cardápio oferece diariamente uma variedade de sabores, com toque caseiro, massas e recheios sempre frescos e fritura feita com óleo de algodão. O preço justo sempre foi uma preocupação. Em 2020, cada salgado custava 1,25. Atualmente, mesmo após reajustes, o valor é de 3,25 a unidade.
Outro diferencial é o horário. A Analu Salgados abre de segunda a sábado, a partir das 6h da manhã. “A gente pensou em quem começa o dia cedo”, explica o fundador.
Ao completar seis anos, ele define o período como um aprendizado constante. “Foram seis anos de curso”, afirma. Segundo ele, o aprendizado vai da produção à administração, do atendimento ao relacionamento com funcionários. Hoje, a empresa gera empregos e movimenta o comércio local. “Quando olho para trás, parece surreal”, diz.
Atualmente, a Analu Salgados está localizada na Avenida José Manoel Reis, no bairro Areias, em Tijucas. A marca também conta com uma cafeteria anexa ao Komprão do bairro Joaia e outra anexa ao Komprão da BR 101.
Ao olhar no “retrovisor da vida”, como define o fundador, o sentimento é de gratidão. A caminhada foi difícil, com passos curtos e muitos desafios, mas a celebração dos seis anos simboliza a consolidação de um negócio que nasceu da adversidade. “Onde está o foco, ali se expande”, resume. E completa: “é um dia após o outro, sempre em frente”.
