Isaura Blasina tem 88 anos. Mas no meio de uma roda de pagode no Centro de Florianópolis, ela dançou como se tivesse 20.
Mineira de nascença e criada no Rio Grande do Sul, Isaura chegou à capital catarinense há seis anos, trazida pela neta. Viúva há muitos anos, decidiu recomeçar onde o mar abraça as pessoas e o samba embala a alma. Encontrou aqui um novo lar — e no pagode, seu melhor remédio.
Com jaqueta estampada, cabelos brancos e um sorriso largo, ela encantou todos que estavam por perto. Entre uma batida de tamborim e outra, Isaura se entregou à música com leveza. Não apenas dançou: viveu cada compasso com alma.
“A pessoa chega nessa cidade e vê todo mundo alegre ao redor, acompanhando a gente… é muito bom. É muito bom a gente se sentir útil, ser exemplo de valendo. Eu espero que as pessoas reconheçam que, apesar da minha idade, ainda eu aproveito.”
Emocionada, ela falou com carinho sobre o ambiente que a acolheu:
“Arrumei um lugar aqui pra dançar, um pagode de primeira. Aqui as pessoas se respeitam, se conversam, dançam, riem, cantam. O lugar é ótimo. E eu estou realizando. Já fiz mais uma vez. Gostei tanto… às vezes. O pessoal é muito educado, tudo. Não sei se é por causa da cabeça branca, mas sou muito bem tratada lá.”
Isaura não precisou de nada além de música, gente boa ao redor e um pouco de samba no pé. Naquele momento, o tempo parou — e ela mostrou que a alegria não tem idade.
O registro viralizou nas redes sociais, com imagens que tocaram o coração de milhares de pessoas. Mas mais do que curtidas ou comentários, ficou a mensagem poderosa:
“Se a gente for esperar ficar tudo bem na vida pra ser feliz, a gente morre sem saber o que é felicidade.”
Que Floripa continue sendo palco dessa energia bonita. E que a vida nos permita dançar como Isaura — com coragem, leveza e vontade de viver.