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PEDALA NARBAL

Futuro do arquipélago sob o julgo de Brasília

O encontro das águas vindas do Sul (frias) com as vindas do Norte (quentes) faz com que este ambiente possua uma riquíssima biodiversidade marinha

Ilha do Arvoredo, barco Urutu Dive Dois, ancorado, e um filme passando na minha cabeça. Quantas lembranças, lembranças do meu pai, das inúmeras vezes que mergulhei, que pesquei naquelas águas límpidas antes de se torna Reserva Biológica. O Arquipélago formado pelas Ilhas do Arvoredo, Ilha das Gales, Ilha Deserta e Calhau de São Pedro, abrange uma área de 17.600 hectares, algo em torno de 17.000 campos de futebol. 
Logo depois de sua criação, em 1990, mais precisamente em 1994, tamanho meu amor, tamanha minha paixão pelo mar, iniciei meu curso de Oceanografia. No início, não entendia direito, o por que não podia mais ir lá, por que não podia mais mergulhar e pescar naquele lugar místico. Mas bastou entrar na água, depois de mais de 20 anos sem aparecer por lá, que entendi o por que da medida, o por que de se preservar.

Primeiramente porque acredito que não devemos opinar sobre aquilo que não conhecemos, e em segundo, porque depois de dizimado, destruído, extinto um lugar, não podemos fazer mais nada. Aliás, é visível e conhecido que a Mãe Natureza mostra que sua capacidade de recuperação é maior do que imaginamos, porém também tem seus limites.
Apesar da transparência reduzida, podemos literalmente "viajar" num mundo lindo, perfeito, e em total harmonia. A turbidez, para quem não sabe, muitas vezes, é o caso do Arvoredo, significa vida, alimento para toda uma cadeia alimentar que começa no plâncton, e vai terminar na boca de uma linda garoupa, de um majestoso mero. Este último, ingratamente deixou de dar o ar da sua graça por lá, já que a pesca predatória se encarregou de excluí-lo.
O encontro das águas vindas do Sul (frias) com as vindas do Norte (quentes) faz com que este ambiente possua uma riquíssima biodiversidade marinha. Felizmente, a natureza e assim. E o homem, na grande maioria das vezes não. Seria uma utopia, acreditar que se nada tivesse sido feito, aquela maravilha continuaria da mesma maneira. Crenças e conhecimentos a parte (não sou nenhum especialista nisso!), o fato é que, ainda não sabemos o por que, eu estava na hora certa, no momento certo e com as pessoas certas. A discussão sobre continuar ou não com a Unidade de Conservação, sendo uma Reserva Biológica, a unidade mais restritiva existente no nosso país, está em pauta, aqui em Bombinhas, em Florianópolis, no entorno, e também lá em Brasília.
O movimento ganhou força, e agora está ai, não há para onde correr.

Reserva ou Parque? Qual a diferença?

Para quem não sabe a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, juntamente com a do Atol das Rocas, são as duas únicas Reservas Biológicas Marinhas do Oceano Atlântico Sul, e é obvio que existe um por quê. Entretanto, os tempos são outros, o mundo muda, as pessoas mudam, enfim, estamos todos em constante mudança. De acordo com nosso amigo Sérgio, proprietário da operadora de mergulho que nos levou lá, junto com a equipe Jornal Razão, o intuito deles é que a preservação continue, que seja fiscalizado, mas que as pessoas possam ter mais acesso a este lugar impar. Até porque, segundo ele, é somente através da conscientização, da educação é que pudemos preservar e cuidar mais de um bem que é de todos.
O ponto crucial é como isto ocorrerá, e de que forma, pois sem garantias, sem um plano de manejo adequado e efetivo, incorreremos em um erro, que poderá ter um preço alto a se pagar. Quando, e se for recategorizada a Unidade de Conservação, para Parque Nacional Marinho, segundo as leis vigentes, existirá uma maior liberdade de uso ordenado de toda a área, de todas as ilhas.
A exemplo de Fernando de Noronha, o parque nacional marinho mais conhecido por nós aqui. Talvez o que espero, e que caso mude, é que seja realmente feito um Plano de Manejo e Ordenação efetivo da área, que as regras sejam cumpridas e fiscalizadas, que O Conselho Consultivo responsável pelas diretrizes de uso seja imparcial e capacitado, e que tudo o que o bicho homem fez de mal naquele santuário seja reparado. O mundo agradece....
O encontro das águas vindas do Sul (frias) com as vindas do Norte (quentes) faz com que este ambiente possua uma riquíssima biodiversidade marinha

Minha primeira imersão....

Sempre tive medo de peixe fora d'água, nunca fui capaz de tocar em um...Hoje mergulhando ao lado deles, tive a vontade de acariciá-los, cheguei a esticar meu braço, mas logo me contive, pois existem belezas que foram feitas para serem apenas admiradas. Como dizia Antônio Cícero "mas vale o vôo de um pássaro do que um pássaro sem vôos....".
Por dois momentos tive medo e uma súbita vontade de sair logo dali. Foi então que respirei profundamente e confiei em mim, nele, e no oxigênio que chegava aos meus pulmões. Hoje respirar debaixo d' água me trouxe liberdade, que a mais de um ano eu não sentia. Ali não precisei de máscaras, nem de distanciamento, bastou segurar a mão dele e abraçar o mar que me amparava com segurança.
(Relato de Christiane tendo a primeira experiência mergulhando com um cilindro de oxigênio no fundo do mar)
Ao final da "viagem" marinha podemos, eu e Chris, nos encontrar com nosso rebento Pedro, embaixo d'água, amparado por um guia, respirando também o oxigênio, que hoje faz falta a vida de muitas pessoas mundo afora. O que falar? Gratidão, é claro. Sem esquecer é claro de que turismo seguro se faz com turista consciente! Fica a dica.
Abraços da Chris, do Narbal e do Pedro.

Até breve

A partir de agora estaremos direto com vocês, compartilhando nossas experiências, nossa gente, através do Jornal Razão. Siga-nos também através das nossas redes sociais, pois a mensagem do bem deve ser sempre compartilhada, principalmente num momento onde nos sentimos praticamente sem ar, sufocados....Esperança, amor e gratidão a todos. 







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