O que era pra ser mais um domingo comum em setembro do ano passado virou um divisor de águas na vida de Michele Ibarros, de 21 anos. Ela pilotava sua moto pela BR-101, em Itapema, quando foi atingida por uma carreta. O impacto violento a deixou presa sob o caminhão.
O estado de saúde era crítico. Com múltiplas fraturas e risco de morte, Michele ficou internada por 40 dias na UTI. O quadro chegou a envolver necrose em parte da perna esquerda, exigindo um enxerto de pele retirado da coxa direita.
Quase nove meses se passaram desde aquele dia. Hoje, Michele se diz em paz — e com força de sobra para seguir. “Terminei a fisioterapia. Ainda tenho limitações, mas já voltei pra academia. Não posso correr por causa do enxerto, mas consigo fazer muita coisa. Foi uma recuperação rápida, considerando tudo”, contou.
“Sou um milagre de Deus”, resume.
O que poucos sabiam é que a motocicleta envolvida no acidente acabou nas mãos de quem participou diretamente do socorro. O veículo foi comprado por um colaborador da própria Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pela rodovia.
Cicatrizes que falam
As marcas no corpo ainda existem — uma discreta na perna direita, e outra mais evidente, resultado da cirurgia para conter a necrose. “No início, a dor era insuportável. Precisei tomar codeína quando tive alta”, lembra.
Apesar disso, ela transformou a dor em propósito. “Me aproximei de pessoas novas, conheci histórias, consegui inspirar muita gente… e me batizei. Entreguei minha vida a Cristo”, disse.
A cada novo passo, Michele reforça a escolha de não se vitimizar. Mesmo com os olhares desconfortáveis, ela encara com maturidade. “Entendo que as pessoas olhem. Mas essas cicatrizes mostram que sobrevivi, lutei e venci. Elas fazem parte da minha nova história.”
Com fé e resiliência, Michele segue reconstruindo a própria vida — e servindo de inspiração para quem pensa em desistir.