Após deixar moradores de Porto Belo até seis dias sem água, o prefeito Joel Lucinda (MDB) apareceu em um vídeo nas redes sociais neste domingo para comentar a crise hídrica que atingiu praticamente toda a cidade em plena alta temporada. No registro, gravado próximo a um reservatório, o prefeito classificou o problema como “uma fatalidade” e afirmou que equipes técnicas estariam trabalhando para restabelecer o abastecimento.
A manifestação ocorre depois de uma sequência de reclamações públicas, protestos e forte reação popular. Desde a manhã de sexta-feira, moradores de diferentes bairros relataram falta total de água ou fornecimento extremamente precário, com pressão insuficiente para encher caixas. Em alguns pontos, quando a água voltou, moradores afirmam que ela chegou turva, amarelada e com mau cheiro, sendo considerada imprópria até para banho.
Durante o período sem abastecimento, famílias disseram não conseguir realizar tarefas básicas como cozinhar, tomar banho ou beber água. Houve relatos de gastos excessivos com água mineral, galões, bombonas e alimentação fora de casa. Em bairros como o Sertão da Santa Luzia, a situação levou moradores a bloquearem vias como forma de protesto, inclusive em ruas usadas como rota por caminhões-pipa que tentavam minimizar a crise.
A indignação popular aumentou porque, mesmo com a circulação dos caminhões-pipa pela cidade, muitos bairros ficaram fora do atendimento emergencial. Moradores afirmam que viam os caminhões passarem, mas a água não chegava às residências. A sensação relatada é de abandono e falta de planejamento diante do crescimento acelerado do município.
No vídeo divulgado, o prefeito afirma que a situação “não era algo que a administração queria que acontecesse” e atribui o problema a uma fatalidade no sistema. No entanto, comentários nas próprias redes sociais da Prefeitura e em perfis ligados à gestão mostram que a explicação não convenceu grande parte da população. As críticas apontam falta de prevenção, sistema obsoleto e ausência de um plano emergencial eficiente.
A crise reacendeu o debate sobre infraestrutura e saneamento básico em Porto Belo. Em meio ao caos no abastecimento, moradores questionam investimentos, cobram transparência e exigem soluções estruturais para evitar novos episódios semelhantes. Até o momento, não foi apresentado um cronograma detalhado de obras nem garantias de que o problema não voltará a se repetir.
Enquanto a gestão municipal fala em normalização gradual, a realidade nas casas ainda é de incerteza. Para muitos moradores, o vídeo do prefeito não trouxe respostas práticas, apenas reforçou a percepção de desconexão entre o discurso oficial e o que a população enfrenta no dia a dia.