Bandeiras, abraços e clima de comemoração marcaram o início da tarde deste sábado (3) em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Um grupo de imigrantes venezuelanos se reuniu no estacionamento da Arena Joinville após a circulação de informações sobre a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação ocorrida na madrugada em Caracas, atribuída à Delta Force.
A mobilização reuniu imigrantes que vivem na maior cidade de Santa Catarina e que acompanham, mesmo à distância, os desdobramentos políticos no país de origem. O encontro teve caráter espontâneo e ganhou corpo ao longo da tarde, à medida que mais pessoas chegavam ao local após receberem mensagens em grupos de aplicativos e redes sociais.
Segundo relatos dos próprios participantes, a notícia da operação internacional se espalhou rapidamente entre a comunidade venezuelana. Muitos levaram bandeiras da Venezuela e do Brasil, além de cartazes com mensagens pedindo mudanças políticas e o fim do regime que governa o país há mais de uma década. O sentimento predominante era de alívio e expectativa, especialmente entre aqueles que deixaram a Venezuela nos últimos anos por causa da crise econômica e social.
Joinville aparece com frequência entre as cidades catarinenses que mais recebem imigrantes venezuelanos, ao lado de Chapecó e Florianópolis. Dados do Caged indicam que, apenas em 2024, o município contratou 2.378 trabalhadores venezuelanos, número que reforça o peso da cidade no processo de interiorização dessa população.
De acordo com informações da Operação Acolhida, entre 2018 e 2023 o fluxo migratório para Santa Catarina foi impulsionado principalmente pela oferta de empregos, pelo desenvolvimento econômico e pelas políticas federais de interiorização. Grande parte dos imigrantes entra no Brasil pela fronteira Norte e, após triagem, é encaminhada para municípios com maior capacidade de absorção no mercado de trabalho.
Nesse cenário, Joinville se destaca por concentrar oportunidades nos setores industrial, logístico e de serviços, o que atrai trabalhadores estrangeiros em busca de estabilidade e renda. Muitas das famílias que participaram da concentração deste sábado já estão inseridas no mercado formal e mantêm vínculos comunitários fortes na cidade.
A manifestação transcorreu de forma pacífica, sem registro de conflitos. O grupo permaneceu concentrado por algumas horas no estacionamento do estádio, cantando, conversando e acompanhando atualizações sobre a situação política na Venezuela. Com o passar da tarde, os participantes começaram a se dispersar gradualmente.
Além de Joinville, outras cidades de Santa Catarina também registram movimentações semelhantes ao longo deste sábado. Há relatos de concentrações espontâneas de imigrantes venezuelanos em municípios como Florianópolis, Criciúma, Capinzal, Chapecó e outras cidades do estado, repetindo o mesmo padrão de bandeiras, encontros públicos e manifestações de esperança diante das informações que chegam de Caracas.
Para muitos imigrantes, mesmo informações ainda em apuração já são suficientes para reacender a expectativa de mudanças profundas no país que deixaram para trás, após anos marcados por instabilidade política, dificuldades econômicas e crise social.