Um jovem morador da Grande Florianópolis viralizou nas redes sociais ao documentar, em uma sequência de vídeos, a própria tentativa de largar o uso da maconha. O relato, que mistura sinceridade e bom humor, acabou ganhando alcance justamente por mostrar, sem filtro, o quanto o processo de cessação pode ser desafiador, mesmo nos primeiros dias.
No primeiro vídeo da série, o rapaz contou que estava há quatro dias sem fumar. Aparecia animado, comemorando a marca e dizendo que pretendia seguir firme. No quinto dia, voltou às redes para atualizar os seguidores. Disse que o paladar começava a retornar, que se sentia um pouco melhor fisicamente, mas admitiu estar enfrentando crises de ansiedade ao longo do dia.
A recaída no sexto dia
A virada da história veio no sexto dia. Em um novo vídeo, com ar de quem entrega a derrota com leveza, o jovem informou que tinha recaído.
Não é fácil rapaziada
A frase, dita em tom de desabafo bem-humorado, acabou viralizando junto com a sequência de vídeos.
Sintomas reais de quem tenta parar
A repercussão dos vídeos abriu uma discussão nos comentários sobre algo que costuma ficar fora das conversas mais óbvias: a maconha é frequentemente apresentada como uma substância sem potencial de dependência, mas dados de órgãos de saúde mostram que parar de usar pode envolver, sim, sintomas físicos e psicológicos. Entre os mais relatados estão ansiedade, irritabilidade, alterações no sono, no apetite e, como o próprio jovem mencionou, mudanças no paladar.
Conforme o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, vinculado à Senad, a maconha é a droga ilícita mais consumida no Brasil. A Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno por uso de cannabis como uma condição que pode demandar acompanhamento profissional, com terapia, suporte psicológico e, em alguns casos, tratamento clínico.
O jovem catarinense não detalhou se pretende tentar parar novamente. Nos comentários, recebeu mensagens de apoio, relatos de outras pessoas que passaram por processo parecido e também uma boa dose de bom humor da rapaziada. O caso, mesmo entregue em tom leve, acabou cumprindo uma função que talvez o próprio autor não tinha planejado: mostrar, na prática, que largar não é só uma questão de força de vontade.
Quem precisa de ajuda para parar de usar substâncias pode procurar gratuitamente os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) da rede pública de saúde, presentes em municípios catarinenses.