Um menino de 12 anos tem transformado a rotina no bairro Paquetá, em Brusque, a partir da produção artesanal de terços feitos com sementes cultivadas no quintal de casa. A iniciativa, conduzida por Samuel Hoffmann, une prática religiosa, trabalho manual e ações de solidariedade, com parte das peças sendo destinada a crianças internadas no Hospital Azambuja.
A relação com a fé começou ainda na infância. Segundo a família, Samuel passou a rezar o Santo Terço por iniciativa própria aos sete anos. A prática acabou influenciando o ambiente doméstico e ampliando a presença da religiosidade no cotidiano familiar.
A produção dos terços teve início em 2022, após um convite da Irmã Theresinha para que o menino participasse de visitas à ala pediátrica do hospital. Durante esse período, ele aprendeu a confeccionar as peças com o auxílio da prima, Laís Hoffmann. A atividade, inicialmente voltada à vivência religiosa, passou a atender também pedidos para eventos como casamentos e celebrações de Primeira Eucaristia.
O processo de produção começa no cultivo da planta conhecida como lágrimas-de-Nossa-Senhora, mantida no quintal da residência. Após o crescimento, as sementes são colhidas, selecionadas manualmente e utilizadas na montagem dos terços, sem qualquer tipo de pintura ou alteração artificial.
Parte significativa das peças produzidas é destinada à doação durante as visitas ao hospital, principalmente para crianças internadas. A proposta, segundo a família, é oferecer acolhimento por meio da fé e da oração.
Além da produção artesanal, Samuel mantém uma rotina dividida entre os estudos, atividades religiosas e o cuidado com as plantas. Ele cursa o 7º ano na Escola do Sesi e atua como coroinha na Capela São Sebastião, localizada no bairro Cedrinho. Também participa do ministério da música e integra o Apostolado da Oração.
O interesse pela vida religiosa é apontado como um projeto futuro. Desde os sete anos, o menino manifesta o desejo de seguir o sacerdócio. Como parte desse processo, já participou de dez encontros no Seminário de Azambuja e segue em fase de discernimento vocacional.
A iniciativa reúne, em um mesmo ciclo, o cultivo das sementes, a produção manual e a destinação das peças, conectando a prática doméstica a ações externas, especialmente no ambiente hospitalar.
Fonte: O Município/ Ciro Groh