Um homem que se identifica como pregador reagiu de forma exaltada ao ser advertido por um fiscal de atividades urbanas da Prefeitura de Balneário Camboriú durante uma pregação realizada em uma praia da cidade, conforme imagens publicadas pelo próprio autor nas redes sociais.
O autor da gravação é Alan Chaves, que se identifica como pregador em sua conta no Instagram. Ele afirma ter sido procurado pelo agente público durante uma pregação na faixa de areia. “O fiscal de atividades urbanas de Balneário veio me dizer que eu não posso pregar na praia”, escreveu Alan na legenda da publicação.
Nas imagens, o pregador questiona repetidamente o agente sobre a norma que embasaria a advertência e eleva o tom ao longo do diálogo. “Cadê a lei? Só mostra a lei e fala que eu não posso? Ou é na carteirada?”, diz Alan no vídeo. O fiscal aparece de costas em parte das imagens, sem identificação visível, e a Prefeitura de Balneário Camboriú não havia se manifestado oficialmente sobre o caso até a publicação desta reportagem.
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Durante a abordagem, o pregador afirma não estar utilizando caixa de som no momento. “Eu já não uso a caixa de som, está vendo? O diabo tinha um pézinho para mim, só que eu não estou com som aqui”, diz Alan nas imagens. Ele cita o ruído do mar como justificativa para a manifestação religiosa em local público: “Deus não é surdo, mas o mar está gritando alto, né?”.
Em outros trechos, o pregador faz referências ao diabo enquanto rebate quem o criticava nas imediações. “Satanás não tem lei que me proíba”, afirma em um momento. Em outro, diz que “o diabo não quer que a palavra seja pregada” e cita uma lista de comportamentos que, segundo ele, seriam de interesse do diabo, como uso de drogas e práticas sexuais fora do casamento. Apesar da advertência, Alan segue com a pregação após o diálogo com o fiscal.
A repercussão do vídeo dividiu opiniões. Parte dos internautas considerou a abordagem do fiscal correta. “Se eu quero ouvir pregação vou na igreja, não na praia”, escreveu um usuário. “Às vezes queremos ir pra ter paz, ouvir o barulho do mar. Nada contra o pastor, mas na praia não é lugar”, comentou outro. Há também manifestações que defendem a atitude do agente público com a alegação de que o pregador estaria perturbando o descanso de quem estava na faixa de areia.
Em sentido oposto, internautas que se identificam como cristãos questionaram a base legal da abordagem e a classificaram como cerceamento da liberdade religiosa. Outros apontaram que o tom adotado pelo pregador também não condiz com a orientação bíblica. “Não se pode proibir a pregação do evangelho, mas esse tipo de pregação Jesus jamais faria. O evangelho é pregado através do amor e respeito ao próximo”, escreveu um leitor.
Até o momento desta publicação, a Prefeitura de Balneário Camboriú não havia divulgado nota oficial sobre o caso, esclarecido qual norma municipal teria embasado a abordagem ou informado se haveria qualquer punição administrativa em curso. O caso segue gerando debate nas redes.