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FUNDO DO BAÚ

Está vindo aí um ladrão de cavalos

O coronel Miguel Angélica localizou e prendeu o criminoso com um cavalo furtado

Por Edson Carvalho Bayer
Agosto de 1999


  Era 1909, raiava o sol de uma bela manhã, o relógio marcava sete horas, e chegava urgente em Tijucas a cavalo um emissário diretamente de Florianópolis, avisando ao coronel Miguel Ezequiel da Silva (Miguel Angélica) para que o mesmo ficasse alerta e mandasse espalhar a notícia para todos os cidadãos que um perigoso ladrão de cavalos, armado com dois enormes e potentes pistolões, poderia está chegando a qualquer momento nesta vila e vizinhança. Dizia o emissário:
    "O senhor tome muito cuidado, porque nossa polícia de Florianópolis não conseguiu prendê-lo, ele enfrentou quatro policiais trocando tiros e escapou a cavalo lá pelos lados de São José, porém, segundo informações do proprietário de uma quitanda onde havia feito uma refeição, ele falou que estava viajando para Itajaí. Assim nosso chefe em meio a confusão de ontem a noite resolveu não perder tempo em me mandar as pressas na frente dele pelo menos até aqui em Tijucas".
    Imediatamente o senhor Miguel mandou uns dois ou três empregados avisar pelas redondezas para os proprietários de cavalos ficarem em alerta e procurarem espalhar a notícia a qualquer outro cidadão que encontrarem caso desconfiarem de qualquer um cavaleiro novo no povoado. E pediu que avisassem a ele sem demora.
    Neste momento o próprio Miguel Angélica embarca em seu confortável carro de molas com os dois fiéis empregados, os irmãos afro-brasileiros Antônio Joana e Mané Joana, familiares da lendária Preta Paula, da Joaia. A carruagem era puxada por uma reluzente parelha de éguas brancas e saiu também a avisar o pessoal.
    Os primeiros a serem avisados por Miguel Angélica são os ferreiros das redondezas, que, segundo ele, seria parada certa para um viajante de longa cavalgada por estradas cheias de buracos e pedregulhos, que era este trecho de Florianópolis a Tijucas, ainda mais com pressa e fugindo das perseguições policiais.
    O primeiro ferreiro a ser contactado foi o senhor Antônio Português, instalado com sua ótima ferraria ali na rua Tenente Carvalho, onde hoje é o número 143. A casa de Antônio Português era um chalezinho de madeira envidraçado, vermelho escuro com aberturas azuis. Ao lado direito de quem entrava era o caminho que dava acesso a ferraria instalada mais aos fundos. Ali paravam atrás de serviços cavaleiros e carroceiros. Ele Antônio, era uma ótima pessoa, oriundo de Coimbra Portugal, um sujeito de pele avermelhada e de cabelos loiros.
    O próximo foi o senhor José Brando instalado na rua Tenente Carvalho onde hoje existe o número 304. O terceiro ferreiro a ser avisado foi o senhor Luiz Cabrinha, na rua XV de Novembro, onde hoje é o número 99. Todos ótimos profissionais de indescritível importância, onde seus serviços para o desenvolvimento do País naqueles tempos do interior eram indispensáveis.
    Naquela manhã a cidade já se encontrava em polvorosa, pois ninguém queria perder seu cavalinho de trabalho. Naquela época era difícil possuir um bom cavalo de carroça ou para montaria. Custava muito caro e significava o ganha pão de muitas famílias, seria desastroso uma repentina perda, ainda mais assim-roubado!!!
    No decorrer daquela manhã, de buscas e de aflição geral aqui na vila, Miguel Angélica com seus bons e fiéis empregados encontraram o perigoso ladrão na ferraria do seu José Brando onde o mesmo esperava o término da ferragem de um cavalo que trazia puxado em sua montaria. O senhor Miguel não hesitou neste momento, imediatamente mandou Antônio e Mané Joana desarmar o ladrão e segurar o mesmo até as indagações preliminares dele. Simultaneamente, vistoriava a maleta que o mesmo possuía amarrada na garupa do cavalo de montaria. Ao abri-la estava com alguns vidros de tintas de cores variadas, pincéis, tesoura de cortar crina, escova, alicate de cortar cercas, e alguns cabrestos, enfim, todos apetrechos necessário para disfarçar o animal furtado, objetos necessários para a famigerada função.
    Nesta época meu avô Adhemar Carvalho tinha apenas nove anos, era 1909 e vivia por perto de seu velho primo Miguel Angélica, que era primo irmão de sua mãe Davina.
    Adhemar era magrinho, canela seca, bisbilhoteiro, sempre atento a tudo que se passava na comuna e presenciou todo aquele inusitado fato. Contava Adhemar que Miguel interrogava e vistoriava a tal maleta do ladrão de cavalos quando ordenou que amarrassem as mãos dele para trás e o levou a pé até na cadeia.
    O ladrão de cavalos ficou preso até a polícia de Florianópolis receber o recado que o coronel Miguel Angélica mandou para os mesmos virem a Tijucas e levarem para prendê-lo na capital onde havia tido um grande entrevero no dia anterior. Adhemar acompanhou tudo aqui, até a delegacia.

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