Após mais de dez anos de espera, o caso que marcou Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí e comoveu Santa Catarina finalmente começará a ser julgado. O Tribunal do Júri da Comarca da Capital, em Florianópolis, realiza na terça-feira (12), a primeira sessão de julgamento relacionada à morte da menina Ana Beatriz Schelter, assassinada em março de 2016.
Ana Beatriz tinha apenas 12 anos quando saiu de casa para ir ao Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, onde estudava no sétimo ano. O trajeto até a escola levaria poucos minutos, mas a menina nunca chegou ao destino.
No dia seguinte ao desaparecimento, o corpo da adolescente foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470, em uma cena inicialmente montada para simular um suicídio por enforcamento. No entanto, a perícia descartou essa hipótese e apontou que Ana Beatriz havia sido vítima de violência sexual e morta por asfixia causada por esganadura.
As investigações foram conduzidas no âmbito da Operação Fênix, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Blumenau, com atuação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul. O Ministério Público de Santa Catarina denunciou três homens pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual.
A decisão que levou os acusados ao Tribunal do Júri foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Mudanças de local para o julgamento
Inicialmente, o julgamento aconteceria em Rio do Sul, mas acabou transferido para Florianópolis após um pedido da defesa dos réus. O Tribunal de Justiça autorizou a mudança em fevereiro deste ano, entendendo que a grande repercussão do caso na cidade poderia influenciar os jurados.
Mesmo sem concordar plenamente com a transferência, o Ministério Público optou por não recorrer da decisão. O objetivo, segundo o órgão, foi evitar novos atrasos em um processo que já se arrasta há mais de uma década e garantir que o julgamento finalmente aconteça.
Por decisão judicial, o processo foi desmembrado. Nesta primeira sessão será julgado um dos acusados. Os outros dois réus deverão enfrentar o Tribunal do Júri em julgamento marcado para o dia 25 de junho de 2026.
O caso de Ana Beatriz segue vivo na memória da população catarinense e é lembrado como um dos crimes mais brutais e emblemáticos da região.