A tentativa da Prefeitura de Florianópolis de demolir o prédio da antiga rodoviária foi barrada por decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital. A proposta do município foi rejeitada após ponderações sobre o valor histórico e o potencial de reaproveitamento do imóvel, localizado entre as avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz, no Centro da cidade.
O governo municipal alegava que laudos da Defesa Civil apontam riscos estruturais significativos no edifício, atualmente desativado, além de um estado avançado de deterioração que comprometeria a segurança nas imediações. A prefeitura pretendia demolir a construção e requalificar o espaço, abrindo caminho para um novo uso urbano da área.
No entanto, o juiz Alexandre Murillo Schramm entendeu que o imóvel possui relevância simbólica para a cidade e não pode ser descartado sem a devida participação da sociedade. Para ele, a decisão sobre o futuro do prédio deve passar por um processo mais amplo de escuta pública e avaliações técnicas multidisciplinares.
O Ministério Público de Santa Catarina e outras entidades que atuam em defesa do patrimônio também manifestaram contrariedade à demolição imediata, sem diálogo com especialistas e moradores. A promotoria agora exige que o Executivo municipal preste esclarecimentos formais sobre a situação do imóvel e os passos planejados.
Em um dos documentos recentes, o promotor Fabrício José Cavalcanti reconheceu que o prédio apresenta problemas visíveis, chamando atenção para sua precariedade constante, ainda mais por estar em uma região central e valorizada da capital.
Com a decisão judicial, o debate sobre o destino da antiga rodoviária deve ser retomado em instâncias públicas, com participação de órgãos técnicos e da sociedade civil. A expectativa é que uma alternativa equilibrada seja construída, conciliando segurança, preservação histórica e desenvolvimento urbano.