26/12/2017 às 12h12 - Atualizado em 26/12/2017 às 13h06

Solução para a água em Tijucas pode demorar

ABASTECIMENTO. Moradores do bairro Universitário, Jardim Mata Atlântica, Centro e Areias cobram providências

Desde novembro moradores da área que se estende do bairro Universitário até Areias incluindo o Jardim Mata Atlântica, reclamam da falta do precioso líquido em suas torneiras. O problema maior está nas edificações denominadas “geminadas”, onde os construtores não instalaram caixas de armazenamento, motores e cisternas para não fugir do limite de crédito para financiamento do programa “Minha Casa Minha Vida”. Para executar essas benfeitorias é necessário remover parte do telhado, caibros e sarrafos de telha, além de quebrar paredes para passagem dos canos. Mesmo assim a pressão é baixa, melhorando um pouco nas madrugadas.

Em conversa com o presidente do SAMAE, Jilson José de Oliveira, o popular Jil da ACIT, nossa reportagem pediu esclarecimentos a respeito desse cenário. O SAMAE admite que essa parcela da população enfrentará um sério problema de desabastecimento de água neste Verão, tudo por conta da burocracia.

TIJUCAS NÃO SOFRERÁ MAIS COM A FALTA DE ÁGUA, AFIRMA SAMAE ==>  http://bit.ly/2Cb01fM

O presidente da autarquia declarou que as necessárias obras serão custeadas pelo SAMAE, porém argumentou que as licitações só poderão ser feita em janeiro, em razão de dotações orçamentárias.

O que é preciso

O prefeito Elói Mariano Rocha determinou que essa questão tenha prioridade nas ações do SAMAE, no entanto a solução não depende apenas de boa vontade. Como se tratam de obras robustas, os processos licitatórios podem se arrastar por mais de um mês. Neste certame estão incluídas tubulações e a construção, no alto dos primeiros morros da Terra Nova, um reservatório com capacidade para suprir as necessidades da população por mais 20 anos.

O prefeito Elói Mariano Rocha bateu na mesa e disse que quer uma solução mais rápida. Muitas pessoas se perguntam por que não jogar mais água nos reservatórios da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Porto da Itinga, o que aumentaria a vasão na rede, porém o presidente do SAMAE explicou que a ETA está operando no limite, sem capacidade para aumentar o volume a ser beneficiado e fornecido à população.

Diante dessas circunstâncias, resultado de um acelerado crescimento de edificações na área urbana do município, os moradores não devem descartar a possibilidade de apelarem a caminhões-tanques para não ficarem sem água nos próximos meses. Jil garante que o problema será resolvido, no entanto tudo depende de prazos que ele não tem como antecipar.

Investimentos passados

Nos últimos quatro anos o SAMAE atuou visando aprimorar a autarquia para atender cada vez melhor a população municipal. A autarquia finaliza neste ano a maior obra da história da cidade, a implantação do Sistema de Tratamento de Esgoto, que já está em operação. Com a finalização da obra, a cidade se tornou a quinta no estado em termos de percentual de atendimento com coleta e tratamento dos esgotos sanitários.

A autarquia também atuou na garantia da ampliação do abastecimento de água. Inicialmente foi ampliada a rede de distribuição de água, começando na rua 13 de Novembro, cruzamento com rua Mauri Afonso da Silva, seguindo pela rua Florianópolis, na sequência pela avenida Valério Gomes e finalmente até o cemitério municipal. Foram substituídas mais de 8.000 unidades de hidrômetros, que já estavam, devido aos muitos anos em funcionamento, com pouca precisão na medição do volume de água dos consumidores.

O município hoje tem o maior percentual em caixas padrão de água, após ser instituída a exigência de instalação das caixas padrões para a colocação dos hidrômetros, de responsabilidade dos usuários. Houve também a preocupação em garantir que um maior volume de água fosse tratado diariamente, e para isso, foi instalado mais um conjunto motor bomba da adutora de água bruta, próximo a ETA, de maior capacidade, para aumentar o volume de água a ser tratado diariamente. A vazão que era de 90,0 l/s passou para 102,0 l/s.

Atualmente são captados 102 litros de água por segundo na captação da Itinga. Esse nível tende a baixar durante as estiagens em até 60,0 litros por segundo.

Captação

Como medida preventiva a autarquia desenvolveu um projeto de engenharia, e está em fase de conclusão de uma captação de água no rio Tijucas, para que no futuro, quando houver estiagens, o Samae esteja preparado para suprir o volume de água faltante da cachoeira da Itinga. A captação do rio Tijucas poderá coletar uma vazão de 50 litros por segundo, garantindo assim, o abastecimento em épocas de estiagem.

Na concepção deste sistema será instalado um conjunto motor bomba que flutuará sob o rio Tijucas, na comunidade Papagaios. Será uma adutora de 250 mm, com comprimento de 1.400 metros, tubos PVC/Defofo, com diâmetro nominal de 250 mm. A água quando bombeada será descarregada em um reservatório, chamado de equalização, local este que também chegará à água vinda do bairro Itinga. Haverá assim uma mistura das mesmas no equalizador e em seguida, o líquido será aduzido por gravidade até a ETA.

O Samae explica que somente será captada água do rio Tijucas quando não houver líquido suficiente na cachoeira da Itinga, e essa captação será em quantidade para complementar tal vazão.