24/11/2017 às 18h18 - Atualizado em 24/11/2017 às 14h40

Tijucas tem a maior criação comercial de touros e carneiros reprodutores de SC

Leopoldo Barentin

Um veículo, com placas de uma cidade do Planalto Serrano Catarinense, trafega no sentido Norte-Sul da rodovia BR 101. No interior estão um fazendeiro e seu capataz. Na altura do KM 164 pegam o acostamento e entram em Tijucas, a “cidade mãe” dos municípios que integram o Vale e Costa Esmeralda.

O condutor do automóvel segue o rumo indicado pelo GPS, mas por via das dúvidas resolve parar num posto de combustíveis para confirmar o trajeto. Eles procuravam uma fazenda especializada na criação e comércio de reprodutores bovinos e ovinos. O frentista não soube informar e então perguntou aos demais funcionários do estabelecimento se conheciam a tal fazenda, no entanto ali ninguém pôde ajudar.

Naquele exato momento estacionou no posto um funcionário do Jornal Razão, que também desconhecia a existência da agroempresa que os “estranhos” procuravam. Pelo celular ligou para a equipe de reportagem do Jornal Razão, que já tinha até agendado um encontro com o idealizador do projeto que distribui touros e carneiros pelos campos e pastagens de Santa Catarina.

O levantamento de informações para a produção da notícia estava sendo feita discretamente há várias semanas. Como o assunto seria tornado público, coube ao Jornal Razão acelerar a produção deste documentário sobre a Fazenda Campo Novo. Fazendeiro e capataz seguiram em frente, confiando nas indicações do GPS, e depois de trafegarem por 12 quilômetros de uma verdejante região, começaram a encontrar as placas indicando o caminho e a posição geográfica de onde foi implantada a Fazenda Campo Novo.

Entre o posto de combustíveis e a porteira da estância não demoraram mais de 20 minutos para chegarem a um dos mais famosos criadouros de animais reprodutores do estado. Pararam na entrada da fazenda para observarem a paisagem e as belezas naturais do lugar. Ambos ficaram surpresos com a magnitude do empreendimento, tudo bem organizado e uma excelente infraestrutura para o fim que se destina. Seguiram um pouco mais em frente e logo foram saudados pelo o homem que procuravam.

A Fazenda Campo Novo

O gorjeio dos pássaros e o insistente canto dos galos de diferentes raças, algumas importadas, avisam o caseiro Tiago que está na hora de se levantar. Ele mora na fazenda com a esposa e dois filhos e é o braço direito do pecuarista Paulo Cesar Lemos, o popular Palica, um dos maiores empreendimentos do gênero em todo o território catarinense, a Fazenda Campo Novo.

Com 300 hectares de área, formada a partir da junção de três diferentes terrenos, a Fazenda Campo Novo é um renomado criadouro e comércio de ovelhas e touros de diferentes raças. É dali que saem os reprodutores que estão “melhorando” o padrão genético dos rebanhos de bovinos e ovinos de todo o estado de Santa Catarina.

“Na bovinocultura nós já chegamos a ter ao mesmo tempo touros de até dezessete diferentes raças. São animais tratados com todo o rigor das técnicas da pecuária de reprodução, tornado o nosso plantel muito procurado pelos fazendeiros catarinenses”, argumenta Paulo Lemos, idealizador do empreendimento.

Ao longo do tempo o ser humano descobriu que, selecionando os melhores animais para a reprodução, poderia tornar seu rebanho mais produtivo. O que foi feito com muita competência no Brasil com a raça Nelore. Os produtores priorizaram para o acasalamento os touros com melhor carcaça, cujos filhos ganham peso mais rápido e cujas filhas são mais férteis, o que significou fazer melhoramento genético no rebanho. O trabalho foi tão bem feito que hoje o Brasil exporta genética para a Índia, de onde veio essa raça de zebuíno.

Com o tempo, percebeu-se que, desde que os rebanhos puros sejam conservados e melhorados, poderia ser utilizada outra forma de se fazer melhoramento genético, com resultados muito mais rápidos nos cruzamentos.

A bovinocultura de corte representa a maior fatia do agronegócio brasileiro, gerando faturamento de mais de R$ 50 bilhões/ano e oferecendo cerca de 7,5 milhões de empregos. Uma análise histórica permite concluir que o mercado pecuário brasileiro, nas últimas décadas, avançou mais do que nos outros 500 anos, desde o descobrimento do país, época em que o primeiro bovino chegou com os colonizadores.

Um aspecto importante a analisar na pecuária de corte brasileira é que a reprodução está fortemente apoiada na monta a campo, como ocorre também em outros países, possuidores de pecuária avançada. Isso ocorre por causa dos menores custos e da maior facilidade de manejo propiciada pela monta a campo.

Também é importante frisar que de nada adiantará melhorar o manejo e a nutrição, se os animais criados não tiverem potencial para responder a essas melhorias. O pecuarista estará amargando sérios prejuízos, diante da falta de resposta aos seus investimentos. A influência do touro sobre o melhoramento genético dos bovinos é muito grande. O pai contribui com 76%, e até mesmo o avô paterno, com 43%, acaba tendo uma contribuição muito maior que a da mãe, que é de 24%.

A solução para isso é que o pecuarista procure usar apenas touros geneticamente superiores, para que, em médio e longo prazo, seu rebanho possa evoluir, quanto aos animais que apresentam registro genealógico, produzidos em rebanhos reconhecidamente melhoradores.


Raças bovinas comercializadas na Fazenda Campo Novo

Européias
-Angus
-Blond D´Aquitaine
-Braford
-Caracu
-Charolês
-Devon
-Hereford
-Limousin
-Simental
-Senepol

Zebuínas
-Brahman
-Gir
-Guzerá
-Indubrasil
-Nelore
-Tabapuã

Em www.agrolemos.com.br você encontrará informações detalhadas de cada uma dessas raças.

Animais de boa procedência

Se existe algo com o que clientes da Fazenda Campo Novo não precisa se preocupar é a procedência dos animais comercializados. Os novilhos e carneiros são criados ou adquiridos em diversos pontos do território catarinense, mas sempre em fazendas e cabanhas que garantem a procedência através de registro. Com isso a criação da Fazenda Campo Novo também pode dar garantia aos seus clientes.

Tijucas tem o 8º maior rebanho de gado de Santa Catarina e esse diferencial reflete na divulgação dos animais disponíveis na Fazenda Campo Novo. A maior parte é gado de corte, animais que hoje são vendidos, em média, por menos de R$ 5,50 o quilo. O motivo da baixa é o gado engordado com aveia e azevem nas áreas das grandes fazendas cultivadas com soja, milho e outros grãos.

“O agricultor após a safra de grãos ocupa a propriedade com aveia e depois solta o gado para se alimentar e adubar essas terras, que são preparadas para a safra seguinte nesta época do ano. Quando esse gado for vendido o preço volta ao normal”, relata o pecuarista.

O preço dos touros evidentemente não são vendidos pelo mesmo preço de abate. Na média, o touro é vendido em torno de R$ 6 mil a R$ 10 mil.

Historicamente um touro reprodutor custa em torno de três vezes o valor de um boi gordo.

Foto 01 Na Fazenda Campo Novo os touros são marcados para assegurar a garantia reprodutiva dada pelo estabelecimento

O processo de alimentação dos animais

Dos 300 hectares da Fazenda Campo Novo cerca de 50% é ocupada com mata nativa. No restante encontramos plantações de capim e pastagem que substituíram terras antes cultivadas com eucaliptos.

“Eu não aconselho ninguém a plantar árvores exótica como o eucaliptos e pinos, que hoje estão com o preço lá em baixo, não compensam o desgastes e o investimento”, afirmar Palica.

A Fazenda Campo Novo tem 14 hectares de área plantada com milho para silagem. Nessas áreas são realizados dois plantios por ano: em agosto e janeiro, colhidos respectivamente em dezembro e maio. Todo o processo é mecanizado, utilizando-se tratores e caçambas próprios.

“Não se admite mais que uma propriedade dessas dimensões se use mão-de-obra braçal”, explica Dr. Paulo Lemos.

Foto 03 Equipe de profissionais da Fazenda Campo Novo: Valmir Lourenço, Tiago dos Santos, Rafaela Vargas dos Santos, Dr. Paulo Lemos, Jaime Bozo e Vinicius Sangaletti

Um plantel valioso

Neste momento a Fazenda Campo Novo tem à disposição dos clientes mais de 200 touros e poucos carneiros reprodutores para oferecer aos criadores. A pouca oferta de ovinos dá-se em razão da excelência da qualidade dos reprodutores com os quais a propriedade trabalha, provocando a venda inclusive por encomenda, o que significa que muitos animais ainda não nasceram e já estão vendidos.

Já o rebanho de touros encontra-se espalhado em três endereços no município Tijucas: na própria Fazenda Campo Novo, em uma propriedade da Terra Nova e em um terreno no Sul do Rio. Além desses locais, o Dr. Paulo Lemos também tem uma sociedade com um criador no município de Frei Rogério, região de Curitibamos, no Planalto Serrano Catarinense.

“Às vezes o comprador não quer descer até litoral por isso nós temos a disposição excelentes touros na cabanha de Frei Rogério”, explica Dr. Paulo Lemos.

A paixão pela pecuária foi mais forte

Paulo Cezar Lemos é um predestinado a vida rural. Desde a época de escola já trazia nas veias o sangue quente de quem luta pela realização dos seus sonhos, porém sua história é bem mais que o êxito de quem semeia árvores espinhosas para colher frutos saborosos. É a saga de um campeão.

Touros nem sempre são animais dóceis, havia inúmeras outras atividades agropastoris para se envolver, como os ovinos e caprinos tradicionalmente criados por ele, mas Paulo Cezar Lemos sempre teve a certeza do que queria. Tudo seria uma questão de tempo. Jamais existiu indecisão.

O visionário empreendedor é um tijuquense de raízes açorianas. Seu avô paterno, Francisco Celso Lemos, o Chico Celso, era casado com Dona Ilsaura Lídia Soares Lemos, da localidade interiorana do Timbé. Chico Celso conquistou o status de quem hoje chamamos de empresário bem sucedido. A família de seu pai, o ex-vereador e empresário Gumercindo Lemos, era da Itinga. Os avós maternos, Dona Clementina da Silva Furtado e José Francisco Honório Furtado, viviam na região onde está a Fazenda Campo Novo. A estrada geral dessa comunidade se bifurca no sentido Caetés, em Camboriú, levando a dois lugares distintos: “Dionísio e Onórios”. Esta última denominação surgiu em razão do primeiro dono das terras do Alto Campo Novo, chamado Honório Furtado, antepassado da mãe do Dr. Paulo Lemos, Dona Telma Furtado Lemos, uma senhora muito querida pela comunidade tijuquense.

Dona Telma e o falecido Gumercindo Lemos casaram em 28 de junho de 1947 e tiveram seis filhos: Marco, Dácio, Jorge, Paulo, Márcio (in memorian) e Cláudia. Cada um seguiu um caminho e o Dr. Paulo Lemos, conhecido popularmente como Palica, pavimentou com muito dinamismo o caminho que o destino lhe preparou.

Casado com Andrea Silva Lemos, Dr. Palica tem uma filha, Sofia, casada com Henrique S. Passos. Sua filha deu-lhe dois netos: Luma e José.

Nos campos do Direito


Palica advogou por 29 anos e quando pendurou as chuteiras do Direito seu olhar se voltou totalmente para a pecuária. Era isso o que ele queria desde a infância.

“Estudei no Colégio Agrícola de Camboriú e depois prestei vestibular para tentar cursar Medicina Veterinária na única universidade que oferecia este curso, a Uniplac de Lages, mas não passei. Havia ainda no Estado dois cursos de Agronomia. Resolvi me inscrever e tentar seguir a carreira de Agrônomo. Minha segunda opção era Direito. E quis o destino que eu fosse aprovado para Direito. Não era o que eu sonhava, mas creio que me sai bem como advogado”, relata o Dr. Paulo Lemos.

Na juventude Palica já convivia em meio aos cavalos e gado. Quando sentiu que uma ideia estava se mostrando oportuna, começou a adquirir imóveis rurais. Chegou a trocar lotes urbanos bem valorizados por terras no Campo Novo.

Esse patrimônio natural se tornou a Fazenda Campo Novo, com uma área de 300 hectares. Ali foi se materializando o sonho de criar e comercializar animais reprodutores. Todavia, não eram simples touros e ovelhas: ele decidiu que criaria e comercializaria animais que fizessem a diferença, assim como estão fazendo seus touros e carneiros.


O fazendeiro Palica

Quem lida com animais de criação sabe que o trabalho é grande e que o gado engorda mais sob os olhares do dono. Por conta disso Palica foi se afastando do Direito à medida que estão chegando ao fim os processos por ele defendidos.

Também reduziu a ida a muitos eventos, festas e confraternizações para estar sempre pronto para atender os muitos clientes que telefonam ou chegam para escolherem os reprodutores que comprarão.“Sou apaixonado pelo meu empreendimento. Tudo começou na Joaia, na área urbana de Tijucas, onde iniciei a criação e comércio de reprodutores, bem como o confinamento de gado para o abate. A conquista da confiança das centenas de clientes que hoje temos cadastrados não foi fácil, trabalhei e viajei muito por todo o território catarinense, porém quando vejo veículos trazendo criadores para comprar meus reprodutores e os caminhões os levam, sinto que todo o esforço valeu a pena”, declara feliz o patrão da Fazenda Campo Novo.

A bem da verdade, o Dr. Paulo Lemos não criou apenas mais um negócio, sem perceber está prestando um importante serviço à economia do Estado, pois seus animais ajudam a melhorar cada vez mais o padrão genético dos rebanhos de bovinos e ovinos de Santa Catarina.

Diante desse sucesso só resta à comunidade regional aplaudir de pé este verdadeiro empreendedor.

Lorran François Barentin/JR