03/11/2017 às 15h15 - Atualizado em 03/11/2017 às 15h36

Um inventor sem limites

Lorran Barentin

TIJUCAS

O que é um inventor? A resposta mais óbvia seria “aquele que inventa” ou que faz algo que ainda não existia. O “novo” é sempre um desafio.

Poucos sabem, mas Tijucas já teve grandes inventores. Abílio Pereira, fundador da Indústria de Doces Primor, participou da criação da caixa de fósforos, em Curitiba. Seu irmão Paulino Pereira idealizou e produziu várias invenções, entre eles uma máquina de engenho para descascar arroz e aperfeiçoou uma máquina de embalar balas de banana. No Sul do Rio nasceu Egeneu Mateus, o homem que ajudou a indústria a projetar as ampolas de medicamentos que hoje conhecemos. Antes esses remédios vinham num vidrinho pequeno, com uma tampa de alumínio. Com um objeto apropriado, era removido o miolo dessa tampa, onde aparecia uma borracha redonda para se espetar a seringa e puxá-lo com a mesma agulha que depois perfuraria o corpo do paciente. E hoje, quantos inventores temos?

Para marcar e homenagear a data de 3 de novembro, Dia Nacional do Inventor, o Jornal Razão entrevistou Edemilson Darosci, um talentoso artista plástico que abriu as portas da sua casa para nos mostrar um conjunto de relíquias que merecem ser exibidas.

O começo de tudo

Filho de Maria e Osvaldo Carlos Darosci, o Vadinho Ferreiro, Edemilson nasceu na localidade rural do Moura, no interior de Canelinha, em 1978. Em 1981 seu pai se estabeleceu em Tijucas, trabalhando como encarregado e mecânico geral da Indústria e Comércio de Madeiras Imacol. Em 1984 Vadinho decidiu fazer “carreira solo” e abriu a Oficina e Ferraria Otaviano Ângelo Darosci, estabelecida há 33 anos na rua Nilo Oliveira, nº 300, no bairro XV de Novembro. Edemilson tinha seis anos nesta época.

A infância e adolescência de Edemilson foram dentro da oficina de seu pai, que nunca lhe negou nada. Ainda pequeno aprendeu a soldar com eletrodo numa lata vazia de azeite. Sua mãe diz que ele mais se sujava do que aprendia, mas isso é uma brincadeira que a família faz com ele. Aos sete anos já era torneiro e ajudava o pai a produzir peças. O saudoso Narbal Andriani era um dos melhores clientes daquela criança comandando o enorme torno e fazia seus pedidos ao futuro profissional da área da arte.

Maiorzinho, já com seus 10, 12 anos, Edemilson provocava verdadeiras metamorfoses com bicicletas que já não tinham mais conserto: instalava garfos alongados, rodas de diferentes diâmetros, motor de motosserra, suspensão e roda de moto e tantas outras incríveis façanhas. Duas transformações que ele não esquece são a bicicleta de cinco lugares e outra confeccionada com uma mola de caminhão, com a qual só ele e o irmão Everilson conseguiam andar.

Edemilson Darosci está registrando no papel toda sua história de artista, que é grande e traria episódios como a fabricação de um triciclo com motor de moto, o qual se transformava num buggy.

E foi assim que Edemilson adquiriu experiência para produzir suas obras.

Asas à imaginação

Nos próximos dias Edemilson Darosci colocará seu acervo em exposição na sua propriedade, bem em frente à ferraria do pai, ao lado do Janjão Placas. São mais de 400 peças, produzidas a partir de matérias primas recicláveis: ferro, alumínio, zinco, latão, cobre, borracha, plástico, papel, madeira, vidro, espelhos quebrados, resíduo de concreto, pedras, material cerâmico e tudo mais que ele encontrar sem serventia para quem descartou o material. É uma impressionante coleção de estátuas, miniaturas dos mais diversos veículos, arranjos, vasos, luminárias, lixeiras, tapetes de vidro e metais, grades, penduradores, cercas e telhados com vidro, móveis, acessórios automotivos e uma infinidade de outras peças. O acervo estará à venda, mas desde já podemos adiantar que o valor é simbólico, pois cada peça tem a sua originalidade, uma história própria.

“Até no lixo nasce flor e o futuro está no lixo! O lixo de hoje será luxo do amanhã”, diz o inventor, que nesse momento nos apresentava uma rede de descanso de nove metros de comprimento, com colchão e pesando cerca de 700 kg. Os ganchos, de guindaste, são pendurados em anéis de diferencial de caminhão.

Na próxima semana, em www.jornalrazao.com, você assistirá uma reportagem com Edmilson Darosci, que envia um fraternal abraço a todos os inventores e que deixa a seguinte mensagem:

“A essência da criatividade está na curiosidade, você tem que ter vontade de ver as coisas com um outro olhar, lembrando sempre que tudo o que existe pode ter mais de uma finalidade. Uma coisa pode ser transformada em outra coisa, sem alterar a forma inicial de cada peça”, finaliza.

Lorran Barentin/JR