O El Niño deve dar os primeiros sinais em Santa Catarina já em julho, antes do esperado, segundo a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. Para receber os alertas oficiais sobre chuvas intensas, alagamentos e deslizamentos diretamente no celular, basta enviar um SMS com o CEP da residência para o número 40199.
Conforme a Defesa Civil estadual, há mais de 80% de chance do fenômeno se estabelecer no trimestre de junho, julho e agosto. A informação foi apresentada no 241º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas e pesquisadores da Secretaria, da Epagri/Ciram, do AlertaBlu, do IFSC e da UFSC. O fenômeno estava previsto inicialmente para a primavera, mas se desenvolveu com mais rapidez.
Como receber os alertas oficiais
Para receber os avisos da Defesa Civil no celular, é necessário enviar um SMS com o CEP da residência para o 40199. O serviço é gratuito e envia notificações sobre chuvas intensas, deslizamentos, alagamentos e outras situações de emergência na região cadastrada.
O que esperar nos próximos meses
Em maio, as chuvas devem seguir irregulares e com volumes ainda abaixo do esperado, mesmo com a passagem frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. A virada de tempo se torna mais evidente a partir de junho, com aumento da frequência de instabilidades em Santa Catarina.
Em anos típicos, os acumulados para junho e julho variam entre 100 mm e 150 mm na maior parte do estado. Para 2026, as projeções indicam chuvas mais frequentes e temporais mais intensos, com volumes que podem ultrapassar esses valores em grande parte do território catarinense.
Sobre as temperaturas, junho tende a ser um dos meses mais rigorosos, com mínimas abaixo de 10°C frequentes e máximas que costumam permanecer próximas dos 20°C. Os episódios de frio, no entanto, devem ser menos frequentes e mais passageiros do que o habitual.
Conforme a Secretaria, na primavera as anomalias no Oceano Pacífico Equatorial devem superar 1,5°C acima da média, com o El Niño atingindo forte intensidade. O período de maior impacto no Sul do Brasil ocorre entre setembro, outubro e novembro, quando as chuvas tendem a aumentar de forma ainda mais expressiva.
É importante destacar que um El Niño forte não implica, necessariamente, na ocorrência de eventos extremos. No entanto, a atmosfera fica mais favorável à ocorrência desses eventos.
A afirmação é da meteorologista Nicolle Reis, da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.
O que a Defesa Civil já fez
Diante do cenário previsto, a Secretaria intensificou as ações de preparação em todo o estado. O Vale do Itajaí, região mais afetada pelo fenômeno em 2023, conta hoje com três barragens de contenção de cheias em condições de operação. A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por revitalização completa, com substituição de equipamentos, modernização e automação do sistema de acionamento.
A rede de monitoramento foi expandida e conta atualmente com 172 estações meteorológicas e hidrológicas distribuídas pelo território catarinense, além de quatro radares em operação. O quadro técnico foi reforçado com a ampliação de 25% na equipe de meteorologistas e a incorporação de um profissional adicional ao serviço de previsão hidrológica.
Santa Catarina também realizou duas edições de simulados gerais, em maio de 2025 e março de 2026, para testar protocolos, sistemas de comunicação e a resposta integrada entre os diferentes níveis de governo.
Como se preparar
Além de cadastrar o CEP pelo SMS no 40199, a Defesa Civil orienta a população a acompanhar as atualizações das condições do tempo e seguir as orientações divulgadas nos canais oficiais da Secretaria. Os Planos de Contingência municipais também são atualizados de forma contínua, orientando a resposta local quando os desastres chegam.