A presença de guarás-vermelhos voltou a ser registrada em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após anos em que a espécie era pouco avistada na região. O reaparecimento das aves está relacionado à preservação e recuperação de áreas de manguezal no complexo hídrico da Baía Babitonga, considerado habitat essencial para o desenvolvimento e reprodução da espécie.
Historicamente comuns na faixa litorânea da América do Sul — desde Trinidad e Tobago até o sul do Brasil — os guarás-vermelhos chegaram a ter a população reduzida na região ao longo do século passado. Nos últimos anos, porém, os registros voltaram a se tornar mais frequentes em diferentes pontos do município.
Segundo o biólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Joinville, Mateus Tosetto, o guará é uma ave aquática típica de ambientes de manguezal. Esses locais se formam em regiões de estuário, onde ocorre o encontro entre água doce dos rios e água salgada do mar.
Em Joinville, esse tipo de vegetação é encontrado em diversas áreas ligadas à Baía Babitonga, como na Lagoa do Saguaçu, no bairro Espinheiros, no Adhemar Garcia e no Parque Natural Municipal da Caieira. É nesses ambientes que as aves constroem ninhos, se alimentam e realizam a reprodução.
Recuperação ambiental favoreceu retorno da espécie
Especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre todos os fatores que levaram ao declínio e ao posterior retorno dos guarás-vermelhos. No entanto, a principal hipótese aponta para a melhoria nas condições ambientais dos manguezais da região.
Nos últimos anos, áreas degradadas passaram por processos de recuperação e também receberam maior proteção ambiental. A melhora na qualidade do habitat criou condições favoráveis para que as aves voltassem a ocupar esses espaços.
De acordo com Tosetto, a recuperação dessas áreas é resultado de ações conjuntas entre poder público, comunidade e instituições de pesquisa.
Projetos voltados para a observação das aves, recuperação de manguezais e estudos científicos desenvolvidos em universidades têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a espécie e fortalecer estratégias de preservação.
A Secretaria de Meio Ambiente também atua na manutenção e recuperação dessas áreas, com foco na redução da degradação e recomposição de regiões impactadas.
Entre as áreas consideradas estratégicas para a conservação estão o Parque Natural Municipal da Caieira e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ilha do Morro do Amaral.
Fiscalização e monitoramento ajudam a proteger o manguezal
A preservação dos manguezais é considerada fundamental para garantir a presença contínua dos guarás na cidade. Segundo o biólogo, a espécie depende diretamente desse tipo de vegetação e não costuma ocupar outros ambientes.
Por isso, o município mantém ações de monitoramento das Áreas de Preservação Permanente próximas aos manguezais. O trabalho envolve equipes das secretarias de Meio Ambiente, Proteção Civil, Segurança Pública e Infraestrutura Urbana.
As ações incluem fiscalização para evitar ocupações irregulares e acompanhamento de possíveis impactos causados por obras próximas às áreas de mangue.
Além disso, também são realizadas operações de limpeza nos manguezais, com retirada de resíduos descartados de forma irregular.
Aves também aparecem em áreas urbanas
Embora estejam diretamente associadas aos manguezais, os guarás-vermelhos também têm sido observados em regiões urbanizadas de Joinville.
Isso ocorre porque algumas dessas áreas estão muito próximas do mangue e fazem parte das rotas de alimentação das aves. Em busca de alimento, os guarás podem aparecer em pontos como o Centro da cidade, especialmente nas margens do Rio Cachoeira.


Outros locais onde a presença das aves costuma ser registrada são o Morro do Amaral, a região da Vigorelli, o Espinheiros e o Adhemar Garcia.
Cor vermelha vem da alimentação
A coloração vermelha intensa, característica do guará, está diretamente ligada à dieta da espécie. As aves se alimentam principalmente de pequenos crustáceos, camarões, caranguejos e moluscos encontrados nos manguezais.
Esses organismos contêm pigmentos naturais que acabam sendo absorvidos pelo organismo do animal e responsáveis pela tonalidade rubra da plumagem.
O retorno dos guarás-vermelhos tem sido visto por pesquisadores e moradores como um indicativo da recuperação ambiental de áreas de manguezal e do equilíbrio do ecossistema local.



