Um episódio inusitado e ao mesmo tempo preocupante foi registrado nas praias de Imbituba. Um homem que se identifica como pesquisador e inventor afirma ter arriscado a própria integridade física para salvar uma foca que estava sendo atacada por cachorros soltos. O caso, narrado pelo próprio autor em áudios e mensagens ao Jornal Razão, levantou críticas à omissão do poder público municipal e chegou até a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal.
O ataque à foca
De acordo com o relato, o pesquisador estava na praia quando se deparou com a cena de vários cães cercando e mordendo uma foca. Ele conta que não hesitou em agir:
“Foi uma guerra muito grande porque quando eu cheguei os cachorros estavam atacando a foca. Foi aí que entrei no meio dessa guerra para poder evitar que matassem o animal”, disse.
Ainda segundo ele, a situação poderia ter terminado em tragédia não apenas para o animal, mas também para quem tentasse intervir. O pesquisador afirma já ter sido mordido anteriormente pelos mesmos cães e se revolta com a falta de providências.
Críticas à prefeitura e ao meio ambiente
O morador afirma que já havia feito reclamações à prefeitura municipal sobre a presença de cães soltos nas praias, mas que nada teria sido feito.
“Cade o meio ambiente, cadê a prefeitura municipal que a gente tanto reclamou, mas não deram atenção. Aí depois chega autoridade dizendo ‘não toca no animal’. Mas quem é que correu risco de ser massacrado pelos cachorros? Fui eu”, desabafou.
Ele também critica a demora no atendimento dos órgãos ambientais, dizendo que só apareceram horas depois do ataque, quando o animal já havia sido salvo.
Pedido de lei para punir ataques de cães a animais marinhos
O episódio levou o pesquisador a buscar apoio além do município. Ele afirma ter acionado a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal e pede que seja criada uma legislação específica para punir casos de ataques de cachorros a animais marinhos, como focas e leões-marinhos que aparecem com frequência no litoral catarinense.
“Agora eu peço à Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal que passe a valer uma lei sobre maus-tratos quando cachorro atacar animais marinhos. Só dessa forma poderemos ver que a lei funciona tanto para os cães como para os animais do mar”, defendeu.
“Quem se arrisca é o morador comum”
Na sua fala, o pesquisador também alfinetou ONGs e entidades ambientais que, segundo ele, recebem recursos, mas não estão presentes nesses momentos críticos.
“É ONG de tudo quanto é lado recebendo. Nesse momento, quem tem que se arriscar é alguém que não recebe nada, nem de ONG e nem de prefeitura, para salvar o animal”, disse.