Pescadores do Canto de Bombas, em Bombinhas, no Litoral Norte de Santa Catarina, estão utilizando uma tirolesa artesanal para transportar mantimentos, colchões e mantas até os pontos de vigia durante a temporada da pesca da tainha. A estrutura improvisada foi montada para conectar a praia a áreas de difícil acesso, onde ficam os observadores responsáveis por monitorar a aproximação dos cardumes.
O sistema, desenvolvido pelos próprios pescadores, tem como objetivo garantir suporte logístico aos vigilantes que permanecem nos pontos de observação desde as primeiras horas da madrugada até o anoitecer. A utilização da tirolesa permite que alimentos e materiais cheguem rapidamente aos vigias, sem a necessidade de deslocamento físico, o que poderia comprometer a eficiência do trabalho.
Os observadores, conhecidos na comunidade como “vigilantes”, desempenham uma função fundamental no processo. São eles que identificam, a partir da análise das condições do mar, os sinais da chegada dos cardumes de tainha. Quando detectam a aproximação, acionam imediatamente as equipes que estão na areia, prontas para lançar as redes.
Entre os sinais observados estão os saltos característicos da espécie e a alteração na coloração da água, que adquire um tom avermelhado. De acordo com os pescadores mais experientes, essa leitura do mar é uma técnica que passa de geração em geração e exige olhar treinado, já que, segundo eles, os sinais são quase imperceptíveis para quem não possui familiaridade com a atividade.
A instalação da tirolesa artesanal, segundo os pescadores locais, tem sido essencial para garantir mais agilidade no suporte aos vigias, impactando diretamente na eficácia da pescaria e na preservação da tradição da pesca artesanal da tainha no município.
Fonte: Visor Notícias