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CRÔNICAS DE UM CIDADÃO COMUM

'Os alunos ganham as notas de graça'; professor de Tijucas critica o ensino no Brasil

Por Augusto Flávio Porto da Veiga / Jornal Razão

O texto a seguir foi extraído da edição 902 do Jornal Razão, que circula no Vale do Rio Tijucas e Costa Esmeralda. A crônica intitulada "A bandeira da demagogia" foi redigida pelo professor Augusto Flávio Porto da Veiga.

Na década de 1980 a indústria respondia por 35% do nosso PIB, passados mais de 30 anos o mundo mudou e o Brasil afundou. Afundou na lama da ignorância e hoje a nossa indústria responde por não mais do que 11% do PIB.

A explicação é simples, mas essencial como a água da chuva. O gargalo está na educação.

Os fundamentos das nações mais desenvolvidas estão apoiados de forma permanente num tripé que segue nesta mesma ordem: Educação, ciência e tecnologia.

Enquanto a nossa indústria clama por profissionais qualificados, a nossa educação entrega analfabetos funcionais com dificuldades de fazer cálculos mais elementares.

Não por acaso, no anuário competitividade mundial, o Brasil aparece em último lugar no fator educação.

E como nada é tão ruim que não possa piorar, a pandemia conseguiu deixar ainda pior o que já era vergonhoso.

Não demorou muito para os efeitos sociais do Big Brother doméstico bater na porta da escola.

Alunos apáticos, sem perspectivas, muitos deles visivelmente abatidos, chegam na escola desmotivados e são recebidos por professores mal qualificados, mal remunerados em escolas caindo aos pedaços.

É desolador, e por vezes, constrangedor. O que dizer quando um pai cheio de orgulho se gaba do seu filho? Professor, o meu filho só tira notas altas. Coitado, nem sabe que está sendo enganado.

Governos e municípios, há décadas enganam a sociedade.

Não fecha, não bate, nas escolas os índices de aprovação chegam a mais de 90% enquanto o IDEB de escolas como o Cruz e Sousa é de 3,4. Ou seja, os alunos são aprovados, passam para o próximo ano do ensino, com a média da escola muito abaixo do mínimo necessário.

Todos os nossos indicadores em educação são péssimos, vexatórios, e só há uma verdade: os alunos ganham as notas de graça. Ou seja, passam com notas altas, mas a maioria sai da escola como analfabetos funcionais e não sabem, sequer, a tabuada do 5.

Mas tem solução? Tem sim, investimentos maciços num projeto de longo prazo. Só falta combinar com a classe política que não é capaz de tomar qualquer iniciativa que possa ir além da próxima eleição.

O negócio por aqui é dar aspirina pra doente terminal. Uma creche nova aqui, uma reforma acolá. E enquanto isso, o país segue despencando na ladeira da ignorância.

Por outro lado, uma sociedade que não prepara as crianças e jovens para uma vida feita de desafios, renuncias e sacrifícios está preparando o solo para uma geração de fracos, frustrados, ansiosos e deprimidos.

Inimaginável um aluno ir a pé do Jardim Progresso até o Cruz e Souza, a merenda tem acompanhamento de nutricionistas, e há escolas que transformaram salas de aulas em depósitos de cestas básicas. Então é isso: transporte na porta de casa, comida boa, cesta básica pra família, e de quebra, notas de graça. A instituição de ensino virou instituição de caridade.

Na prática, um vereador da nossa cidade, sem nenhuma exigência de escolaridade ganha quase o dobro de um professor com carga horária de 40 horas semanais.

Num país onde jogadores de futebol, cantores sertanejos e políticos astutos são ícones de ascensão social, a ignorância pode ser justificável. Mas não é o que dizem as estatísticas. Os maiores índices de desemprego e os menores salários se concentram nos baixos níveis de escolaridade e fixam moradia permanente nos bolsões de miséria e pobreza.

Mas, engane-se quem quiser, educação nunca foi prioridade neste país, navegar contra os ventos da evolução é conveniente para as capitanias hereditárias.

Bem, sabemos que povo ignorante é povo no cabresto.







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Sexta, 27 de junho

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