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POLÍTICA

Após denúncia, prefeito de Bombinhas manda vereadora 'lavar uma louça'

Mais uma vez o prefeito Paulo Dalago Muller, o Paulinho, de Bombinhas, se vê envolto em polêmicas. 

Dessa vez, o alvo do Chefe do Executivo Bombinense foi a vereadora Isabela Camile. Após tomar conhecimento de que ela denunciou um crime ambiental em área de preservação na praia de Quatro Ilhas, Paulinho mandou Isabela "lavar uma louça".

Isabela Camile da Silva (PSDB) é a única mulher eleita para ocupar uma das nove cadeiras na Câmara Municipal. Em entrevista ao Portal Catarinas, a parlamentar contou que acordou na terça-feira com vários relatos de indignação de bombinenses por conta da degradação de uma parte da restinga no canto da praia. De acordo com moradores da região, às 6 horas da manhã daquele dia uma máquina da Secretaria de Obras abriu uma clareira em uma área protegida por lei. 

Diante do fato, a vereadora registrou uma denúncia na Fundação de Amparo ao Meio Ambiente de Bombinhas (FAMAB). Logo depois da queixa, o áudio reativo do prefeito passou a circular em um aplicativo de conversas.

"A fala dele não é um bordão, um assessor de um vereador da base me disse hoje que não vê machismo algum na fala do prefeito, mas é sim, quando uma mulher fala eles dizem que é discurso de ódio, só que a gente está cansada, a gente é silenciada o tempo todo, tudo é mal amada, mulher com TPM, como eu mesma já escutei aqui dentro dessa Casa", desabafa a vereadora. 

Com a repercussão negativa de sua fala, o gestor municipal tentou minimizar o episódio em outro áudio. Ele afirma que o discurso foi tirado de contexto: "em relação a dizer 'lavar uma louça' foi em tom de brincadeira e eu não tenho problema nenhum porque eu lavo a louça todo dia, eu varro a casa, eu limpo fogão, eu adoro fazer serviços domésticos". E completa acusando o PSOL e algumas mulheres de tentarem tripudiar em cima do fato. 

Área degradada na praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas. Foto: Messias Saraintaris

Poucas horas depois, como numa espécie de vingança política, a denúncia de Isabela feita à FAMAB passou a circular nos grupos de um aplicativo de conversas. Para Isabela houve vazamento ilegal de sua queixa. "Eu estava cumprindo meu papel de vereadora e o meu áudio em que denuncio a degradação vazou da FAMAB. Como eu faço a denúncia pelo portal, eles não podem expor minha denúncia mesmo eu sendo vereadora. Politicamente eles estão usando órgãos públicos e ambientais para me deteriorar, me atacar e colocarem os pescadores contra mim", afirma. A parlamentar disse que vai encaminhar um ofício para a Prefeitura para saber quem vazou a denúncia.

Prefeito tentou minimizar suas palavras publicando uma foto em que aparece cozinhando. Na legenda, afirma que também lavará a louça. 

Nas redes sociais, o prefeito respondeu comentários de moradores que pediam uma explicação para a supressão da vegetação. Paulo afirma que foi feito para acomodar as canoas de pesca da tainha e que foi autorizado pelo meio ambiente e pela Superintendência de Patrimônio da União (SPU). Ele chegou a bater boca com algumas pessoas.

A prefeitura nega que tenha sido a responsável pela retirada da vegetação apesar de moradores afirmarem que viram maquinário da prefeitura fazendo o serviço. Na terça-feira, a FAMAB e a Polícia Militar Ambiental estiveram no local para vistorias. Segundo a Fundação, duas famílias de pescadores foram responsáveis pela degradação, de aproximadamente 105m², em Área de Preservação Permanente (APP). Elas serão autuadas e deverão responder por crime ambiental.  

LAVAR A LOUÇA É CALAR A BOCA

No vídeo "Lavar a louça", a psicanalista Maria Homem, analisa o termo "vá lavar a louça" e o relaciona à intenção de querer calar a boca da mulher. "É como se dissessem: 'mulher que está fora do seu lugar, que está achando que não deve lavar a louça, que não deve ocupar um lugar que não deveria ocupar, vá lavar a louça! Volte pro seu lugar, volta para aquilo que eu legitimo como um lugar possível de feminino pra eu me relacionar. Além de ser um imperativo: 'ei você, cala a boca, vá lavar a louça, para de falar, para de causar, para de mimimi'". Maria chama atenção a esse tipo de discurso ser reiterado principalmente por homens por conta da histórica relação entre limpeza e cuidado pelas mulheres.

Com informações do Portal Catarina







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