Bebê com deficiência foi agredido sem roupas em creche de Florianópolis

Desdobramentos do caso da creche particular de Florianópolis que vem sendo investigada por maus-tratos indicam mais ações chocantes contra a integridade das crianças.

Bebê com deficiência foi agredido sem roupas em creche de Florianópolis Reprodução

Desdobramentos do caso da creche particular de Florianópolis que vem sendo investigada por maus-tratos indicam mais ações chocantes contra a integridade das crianças.

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Desdobramentos do caso da creche particular de Florianópolis que vem sendo investigada por maus-tratos indicam mais um crime chocante: Uma criança com deficiência teria sido agredida nua.  A dona do local teria punido o menino, que ainda se acostumava a não usar fraldas, por ele ter feito cocô enquanto dormia.

A situação foi relatada por uma professora que atuou na creche, em entrevista concedida à NSC TV. O relato foi feito na condição de anonimato. A defesa do estabelecimento nega irregularidades.

"A partir do momento em que ele [o menino agredido] foi desfraldado, piorou muito, porque ele não entendia nada do que as pessoas falavam. Ele não conseguia falar com a gente, então ele fazia muitas vezes na calça", disse a ex-funcionária. 

"Teve uma vez em que ele estava dormindo e, quando acordou, fez cocô dentro da sala onde estava dormindo. Eu lembro que ela, a dona do colégio, ficou totalmente fora de si. Ela levou ele para a rua, estendeu o lençol, acredito que para a câmera não pegar o que estava acontecendo, deixou ele pelado e bateu nele com chinelo", relatou a professora na entrevista.

De acordo com ela, a proprietária da creche jogava fora os remédios de outro aluno, também com deficiência, que deveria fazer uso contínuo das medicações.

Ela reforçou as denúncias já feitas por outras ex-funcionárias do estabelecimento e dos pais das crianças, sobre a oferta de pouca comida para as crianças. Segundo ela, a dona dizia que queria evitar o desperdício. 

"Então era uma banana para três crianças, potes minúsculos de refeição. E nós, enquanto funcionárias, não podíamos fazer nada além de tentar proteger as crianças, de tentar passar a maior parte do tempo nas nossas salas", afirmou.

Relembre o caso

O que dizem as autoridades

A Polícia Civil diz investigar o caso e que irá tomar depoimentos já nesta semana. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) afirma que também terá uma apuração própria, ao ter instaurado uma notícia de fato nesta terça.

O Conselho Tutelar informou que esteve na creche mais de uma vez, sendo a última em maio deste ano, mas não flagrou situações de maus-tratos nem crianças machucadas.

Ainda assim, o órgão disse ter advertido a proprietária em dezembro do ano passado para que não houvessem episódios de violência contra as crianças após ter recebido denúncia de uma outra ex-funcionária.

A Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis disse, em nota, que recebeu as denúncias e que faria uma visita protocolar ao local, ainda que já esteja fechado.

O Conselho Municipal de Educação disse ter enviado ofício à pasta de educação no município para que haja o devido acompanhamento do caso. Ele pode ainda criar uma comissão própria para apurar as denúncias.

O que diz a direção da creche

As primeiras denúncias sobre a creche, que vieram a público na segunda (4), foram acompanhadas de vídeos em que uma mulher aparece tentando abafar o choro de uma bebê com uma coberta. Sem conseguir acalmá-la, ela xinga a criança.

Já na ocasião, a defesa da creche negou a veracidade do vídeo, o que voltou a reforçar em novo posicionamento nesta terça (5).

No comunicado, diz ainda que não houve qualquer ato ilícito nas dependências da escola, que o local esteve em funcionamento desde 2016 sem receber reclamações e que a direção está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Afirmou também que a creche sempre contou com cozinheira própria e acompanhamento nutricional para atender os alunos.

Fonte: NSC Total

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