A entrevista com Eduardo Bolsonaro marcou a estreia do Podcast Santa Política, novo projeto editorial do Jornal Razão voltado a entrevistas longas e aprofundadas sobre política nacional e estadual. A conversa foi realizada de forma on-line, com o deputado participando diretamente dos Estados Unidos, onde se encontra atualmente.
Logo no início, Eduardo falou sobre sua atuação durante o primeiro ano do governo do pai, Jair Bolsonaro. Segundo ele, hoje avalia que deveria ter sido mais firme internamente. Disse que tentou agir com cautela e educação em negociações e articulações, mas que isso acabou sendo interpretado como fraqueza. Como exemplo, citou a tentativa de viabilizar um acordo internacional com o Marrocos para fornecimento de potássio ao Brasil, tratativa que, segundo ele, traria vantagens ao país, mas não avançou dentro do governo.
Ao comentar o cenário político pós-governo Bolsonaro, Eduardo afirmou que a direita ainda enfrenta um processo de formação e amadurecimento. Disse que, na sua visão, a esquerda se organizou ao longo de décadas, ocupando espaços como universidades, sindicatos, imprensa, partidos e organismos internacionais, enquanto a direita começou a se assumir politicamente apenas a partir de 2018. Para ele, isso explica a dificuldade de encontrar quadros técnicos e burocráticos alinhados ao campo conservador para ocupar cargos estratégicos no Estado.
Durante a entrevista, Eduardo afirmou que essa falta de estrutura ficou evidente no governo Bolsonaro. Segundo ele, havia dificuldade para indicar nomes para ministérios, estatais e conselhos, algo que, na avaliação dele, a esquerda faz com mais facilidade justamente por já dominar esses ambientes. Disse ainda que esse processo gera conflitos internos e disputas naturais em um campo político que ainda está em construção.
Questionado sobre sua permanência nos Estados Unidos, Eduardo disse que não se trata de medo, mas de uma avaliação do contexto político e jurídico brasileiro. Afirmou acreditar que, se retornar ao Brasil, será preso. Citou episódios envolvendo decisões do ministro Alexandre de Moraes, como pedidos relacionados à apreensão de seu passaporte, e afirmou que, em sua visão, há uma atuação judicial influenciada por disputas políticas.
Ele também comentou investigações envolvendo integrantes da família Bolsonaro e disse que, após a eleição de Jair Bolsonaro, todos passaram a ser alvo de apurações. Segundo Eduardo, isso inclui Carlos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro. Na avaliação dele, trata-se de um cenário de pressão política contínua.
Sobre as eleições, Eduardo disse acreditar que o próximo pleito ocorrerá em um ambiente mais equilibrado do que o de 2022. Avaliou que a atual composição do Tribunal Superior Eleitoral pode garantir maior segurança jurídica e afirmou ter esperança de mudanças por meio do voto.
Ao tratar da sucessão presidencial, Eduardo afirmou que Flávio Bolsonaro já estaria consolidado como candidato à Presidência da República no campo bolsonarista. Disse não enxergar espaço para outro nome com o mesmo nível de apoio e avaliou que a disputa tende a ser novamente polarizada.
A entrevista também abordou o cenário político de Santa Catarina. Eduardo elogiou o governador Jorginho Mello, afirmando que mantém a avaliação de que ele está entre os melhores governadores do país. Disse que o estado está bem administrado, citou índices de aprovação elevados e afirmou que seguirá apoiando Jorginho, mesmo estando fora do Brasil.
Sobre possíveis candidaturas da família Bolsonaro em Santa Catarina, Eduardo disse que os nomes de Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro podem estar à disposição do eleitorado. Ressaltou que a decisão cabe ao voto popular e afirmou que não vê problemas em submeter integrantes da família ao escrutínio público. Em relação a Jair Renan, disse que ele passa por um processo natural de amadurecimento político e que não há, segundo ele, qualquer questionamento relevante sobre sua atuação.
Eduardo também falou sobre a deputada Júlia Zanatta, destacando sua atuação no Congresso Nacional e seu alinhamento com o bolsonarismo. Disse que vê nela uma parlamentar combativa e presente nas pautas do grupo político. Mencionou ainda Guilherme Colombo como um nome que considera preparado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, citando sua formação jurídica e envolvimento político.
Ao final da entrevista, Eduardo deixou uma mensagem direcionada ao público catarinense. Disse que Santa Catarina é uma referência nacional em organização política, desenvolvimento econômico e segurança pública. Destacou a atuação da Polícia Militar do estado e afirmou que o modelo catarinense pode servir de exemplo para outras regiões do país.