“Chego quase a chorar”. A frase foi usada pela ex-senadora petista Ideli Salvatti ao afirmar que Santa Catarina teria se transformado em uma “vitrine de vergonha nacional”, em razão de decisões políticas e episódios recentes que ganharam repercussão fora do Estado. A declaração foi direcionada principalmente ao governador Jorginho Mello (PL).
Segundo Ideli, nos últimos 15 dias Santa Catarina passou a aparecer no cenário nacional apenas por fatos que, na avaliação dela, “deveriam causar vergonha”. A ex-senadora afirmou que quem não se sente incomodado com esse tipo de exposição “não tem amor pelo Estado nem pelo povo catarinense”.
Entre os pontos citados, Ideli criticou a sanção da lei que extinguiu cotas raciais em Santa Catarina. Ela classificou a medida como uma provocação política e afirmou que se trata de uma política “constitucional e consagrada”, que não deve se sustentar juridicamente. No mesmo contexto, questionou a justificativa enviada ao Supremo Tribunal Federal, na qual o Estado é descrito como de maioria branca, e fez críticas pessoais ao governador.
Outro ponto abordado foi o caso recente de violência contra o cão comunitário Orelha. Ideli disse que a conclusão da investigação ainda precisa ser “digerida” e afirmou haver questionamentos sobre o resultado. Segundo ela, o Instituto Humaniza, que coordena, protocolou pedidos junto à Procuradoria-Geral da República para a federalização do caso e solicitou a atuação da Polícia Federal.
A defesa da federalização foi interpretada por críticos como um gesto de desconfiança em relação às instituições locais de investigação. Nas redes sociais, as declarações da ex-senadora provocaram milhares de comentários, em sua maioria contrários ao discurso. Muitos usuários acusaram Ideli de generalizar críticas, atacar Santa Catarina como um todo e reaparecer no debate público apenas em momentos de tensão política.
Parte dos comentários também apontou contradição no discurso. Críticos afirmam que setores da esquerda adotam tom rigoroso ao tratar de episódios de violência, mas historicamente rejeitam pautas de endurecimento penal. Para esses opositores, o posicionamento soa mais como estratégia política do que como proposta concreta de solução.
A repercussão evidencia o ambiente de polarização em Santa Catarina. As falas de Ideli reacenderam o debate sobre até onde vai a crítica política e quando ela passa a ser percebida como ataque à identidade e à imagem de um Estado inteiro.