O ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Florianópolis, Ed Pereira, foi citado no relatório final da Operação Presságio como beneficiário de aproximadamente R$ 500 mil em repasses relacionados à contratação da empresa Amazon Fort. Segundo a Polícia Civil, o dinheiro teria sido recebido entre 2020 e 2021, em meio a negociações que envolveram contratos emergenciais da Prefeitura.
De acordo com os investigadores, Pereira já mantinha contato com um dos sócios da Amazon Fort desde 2020. Mensagens trocadas entre eles mencionariam entrega de dinheiro. Em entrevista à imprensa, o ex-secretário negou proximidade com os empresários, mas documentos anexados ao processo apontam o contrário.
O relatório detalha que em 4 de setembro de 2020 Pereira teria recebido R$ 130 mil, sendo que parte desse valor — R$ 77,9 mil em espécie — foi usada no pagamento à vista de um veículo destinado à sua esposa, adquirido em uma revenda de automóveis em São José, na Grande Florianópolis. Ao todo, os repasses ao ex-secretário somariam cerca de meio milhão de reais.
A investigação indica que os recursos saíram de um contrato firmado entre a Prefeitura e a Amazon Fort em 19 de janeiro de 2021, um dia antes da greve da Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap) ser oficialmente deflagrada. A contratação, feita por dispensa de licitação, tinha caráter emergencial, mas a paralisação terminou em 15 dias. Mesmo assim, a empresa permaneceu atuando por 17 meses, com custo superior a R$ 29 milhões.
Com sede em Porto Velho (RO) e sem ligação com Santa Catarina, a Amazon Fort já havia aberto vagas para atuar em Florianópolis no fim de dezembro de 2020, antes da assinatura do contrato.
A Operação Presságio foi deflagrada em 18 de janeiro de 2024 para investigar crimes ambientais. No curso das apurações, surgiram indícios de desvios de recursos públicos, incluindo repasses suspeitos da Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes de Florianópolis para uma organização não governamental por meio de contratos de fomento.
ATUALIZAÇÃO:
A Amazon Fort se pronunciou sobre o caso através da seguinte nota:
A Amazon Fort vem a público esclarecer que não há, até o presente momento, nenhuma acusação formalizada contra a empresa em relação à operação mencionada ou qualquer outra investigação.
A operação citada na matéria ocorreu em um contexto específico, e todos os devidos esclarecimentos foram prestados às autoridades competentes, incluindo à Justiça.
A Amazon Fort reafirma seu compromisso com a transparência e o cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis à sua atividade.
Já a defesa de Ed Pereira contesta de forma direta a versão apresentada pela polícia sobre a origem dos recursos usados na compra do carro.
De acordo com os advogados, o pagamento em espécie não seria indício de irregularidade, pois teria sido viabilizado a partir da venda de outro veículo, realizada no mesmo dia e também quitada em dinheiro.
Para os defensores, a interpretação das autoridades ignora esse contexto e cria uma leitura distorcida dos fatos. Eles afirmam que a acusação “tripudia sobre a justiça, repele o raciocínio isento e despreza o bom senso”, acrescentando que irão levar a contestação formalmente à esfera judicial, onde pretendem demonstrar a legalidade da transação.
Fonte: SCC10 e UPIARA