O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou nesta sexta-feira (13) que mantém a pré-candidatura ao governo de Santa Catarina e que o PSD tomará medidas concretas contra o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que declarou apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) mesmo sendo filiado à sigla. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Chapecó, ao lado do presidente estadual do partido, Eron Giordani.
Segundo Giordani, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ligou na manhã desta quinta-feira e deu respaldo para que a executiva estadual tome as providências sobre o caso. Uma reunião da executiva foi convocada para a próxima segunda-feira. Entre os temas da pauta está a abertura de processo disciplinar contra Topázio Neto, o que pode resultar na expulsão do prefeito da capital do partido.
Fundo eleitoral e lealdade não correspondida
Durante a coletiva, João Rodrigues detalhou o que classificou como uma série de traições de Topázio Neto ao projeto partidário. Conforme o prefeito de Chapecó, na eleição municipal de 2024 o PSD destinou mais de 30% do fundo eleitoral exclusivamente para a disputa em Florianópolis, enquanto cerca de 65 dos aproximadamente 95 candidatos do partido em Santa Catarina não receberam nenhum recurso do fundo. O esforço do partido pela capital, segundo Rodrigues, incluiu a filiação do vice-prefeito ao PSD e o apoio integral à candidatura na capital.
“O que a gente esperava é que o prefeito da capital devolvesse a lealdade que nós tivemos com ele”, afirmou João Rodrigues. Segundo o prefeito, Topázio teria se aproximado do governador Jorginho Mello em busca de convênios e recursos para Florianópolis, utilizando a estrutura da prefeitura da capital para desmobilizar candidaturas e articular chapas em favor de outros partidos.
Rodrigues citou especificamente que Topázio escalou seu chefe de gabinete para disputar uma vaga de deputado estadual pelo Podemos, partido aliado ao governador, e articulou apoio ao deputado federal Júlio Garcia apenas como moeda de troca, enquanto trabalhava contra o projeto do PSD ao governo.
Resposta a Bornhausen e relação com o governador
Sobre a relação com o ex-governador Jorge Bornhausen, que na véspera respondeu no grupo de WhatsApp do partido que “política se faz com paciência e não com ameaças”, João Rodrigues foi respeitoso, mas firme. “Com todo respeito ao doutor Jorge, que tem uma história que a gente tem que respeitar, eu diria que é o último dos moicanos. Com seus noventa anos tem uma cabeça que é um espetáculo, um homem que sabe articular, sabe conversar, mas vive ao seu tempo da política. O momento atual mudou muito”, afirmou.
O prefeito de Chapecó também revelou que, antes da crise, esteve com o governador Jorginho Mello no Palácio do governo para tratar de R$ 45 milhões pendentes referentes à abertura da Avenida Getúlio Vargas em Chapecó, recurso que estaria tramitando há cerca de um ano sem avanço. Rodrigues fez questão de ressaltar que não é inimigo do governador e que o diálogo institucional entre prefeito e governador é uma obrigação.
João Rodrigues relembrou ainda que recusou diversos convites do governador ao longo dos últimos anos, incluindo uma proposta para que sua esposa, Fabi, se filiasse ao PL e fosse candidata a vice-governadora. Segundo ele, a recusa se deu por lealdade ao grupo político que sempre esteve ao seu lado. “Abro mão de qualquer benefício pra não abandonar aquilo que eu acredito. A política pra alguns é um negócio. Pra mim é vocação”, declarou.
Kassab dá respaldo e reunião decisiva será na segunda
O presidente estadual do PSD, Eron Giordani, confirmou que a decisão de convocar a reunião da executiva foi tomada em conjunto com a direção nacional. Giordani afirmou ter conversado com Kassab ao menos três vezes na véspera e mais uma vez pela manhã, e que o presidente nacional concedeu autonomia e liberdade para que o diretório estadual atue.
O ato de renúncia de João Rodrigues à prefeitura de Chapecó e o lançamento oficial da pré-candidatura ao governo seguem confirmados para 21 de março, na Get Church, em Chapecó. A reunião da executiva estadual do PSD na segunda-feira será o próximo capítulo decisivo da crise, com a situação de Topázio Neto como ponto central da pauta.
Até a publicação desta reportagem, o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, não havia se manifestado sobre os desdobramentos anunciados pelo PSD.


