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em Política

Sem salário e suspenso por 60 dias, deputado de SC chora: “não sei o que falar pros funcionários”

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 06/05/2026 11h05 | Atualizado há 5 dias
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Em prantos no Conselho de Ética da Câmara, o deputado catarinense disse que cerca de 20 famílias dependem do salário do gabinete. Por 15 votos a 4, colegiado aprovou afastamento por 60 dias.

O deputado federal catarinense Zé Trovão (PL) chorou no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (5) momentos antes de o colegiado aprovar a suspensão do mandato dele por 60 dias.

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Por 15 votos a 4, o conselho acatou o parecer do relator Moses Rodrigues (União-CE) e recomendou o afastamento do parlamentar pelo episódio em que ele participou da ocupação física da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025. Foi o placar mais expressivo entre os três deputados julgados na mesma sessão. Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel van Hattem (Novo-RS), também envolvidos, receberam 13 votos a 4.

ASSISTA AO VÍDEO

O desabafo na tribuna

Antes da votação, com a voz embargada, Zé Trovão concentrou a defesa não nos fatos da ocupação, mas nos funcionários do próprio gabinete que ficariam sem salário caso a suspensão se confirme.

“Meu coração hoje não está legal. E eu não estou com o coração apertado por conta de ter ou não o mandato suspenso por dois meses. Mas meu coração hoje não está legal porque ao meu redor existem famílias. Eu tenho um funcionário que tem um filho de espectro autista que depende desse salário para viver.”

O deputado afirmou que cerca de 20 famílias dependem do gabinete e disse não saber o que responder aos assessores. Conforme o discurso, alguns funcionários teriam questionado como pagariam aluguel, comida e empréstimos no período de afastamento.

Em outro trecho, classificou o processo como “perseguição política” e fez paralelo com a prisão de 60 dias que cumpriu por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

“A gente não está aqui sendo julgado por corrupção, por lavagem de dinheiro, por desvio de recurso público, presidente. Isso aqui é uma perseguição política.”

O caso da Mesa

A representação contra Zé Trovão foi apresentada pela própria Mesa Diretora da Câmara após o episódio de 5 de agosto de 2025, quando deputados da oposição ocuparam fisicamente o plenário Ulysses Guimarães por mais de 30 horas, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela cobrança da votação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Conforme o parecer do relator, o catarinense usou o corpo para barrar o acesso do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) à cadeira da Presidência, formando barreira com a perna na escada de acesso à Mesa. Pollon teria sentado na cadeira do presidente, e Van Hattem ocupado outra cadeira do colegiado.

A defesa, feita pelo advogado Eduardo Moura, sustentou que as imagens não comprovariam irregularidades e que o parlamentar tentava, na verdade, evitar conflitos físicos.

Promessa de repetir

No fim do discurso, mesmo diante da iminente suspensão, Zé Trovão afirmou que voltaria a ocupar a Mesa se entender necessário.

“Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei.”

Próximos passos

A suspensão não tem efeito imediato. A defesa ainda pode apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Se a CCJ rejeitar o recurso, o caso vai a plenário, onde a confirmação do afastamento depende de maioria absoluta de 257 votos.

Caso seja confirmada, a suspensão de 60 dias retira do parlamentar o exercício do mandato, o salário, a verba de gabinete e o direito de apresentar emendas durante o período.

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