Recém-nascidos prematuros e bebês com comorbidades passaram a contar com proteção adicional contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em Itajaí e Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. As duas cidades começaram a disponibilizar gratuitamente o anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para prevenir formas graves de infecções respiratórias, como bronquiolite e pneumonia.
O imunizante é destinado a crianças com maior vulnerabilidade clínica, especialmente aquelas nascidas antes de 37 semanas de gestação ou com doenças associadas. A aplicação depende de avaliação médica e segue critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Entre as condições contempladas estão cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.
Em Itajaí, a aplicação ocorre ainda na maternidade do Hospital Marieta Konder Bornhausen, logo após o parto, para os recém-nascidos que se enquadram nos critérios. Bebês já nascidos também podem receber a dose nas unidades de saúde do município, desde que apresentem requisição médica.
O município recebeu inicialmente 12 doses, consideradas parte de um estoque estratégico. Novas unidades poderão ser solicitadas ao governo estadual conforme a demanda.
Já em Balneário Camboriú, foram disponibilizadas inicialmente 30 doses. O anticorpo está sendo aplicado na maternidade do Hospital Regional Ruth Cardoso e também nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), seguindo as diretrizes nacionais.
O nirsevimabe oferece proteção imediata após a aplicação, diferentemente das vacinas tradicionais, que dependem do tempo para a formação de anticorpos pelo organismo. A medida busca preparar os bebês mais vulneráveis antes do inverno, período em que a circulação de vírus respiratórios aumenta.
O Vírus Sincicial Respiratório é considerado a principal causa de bronquiolite em crianças pequenas. Estima-se que ele seja responsável por cerca de 75% dos casos da doença em menores de dois anos e por aproximadamente 40% das pneumonias nessa faixa etária.
Dados nacionais de 2025 apontam a dimensão do problema: até 22 de novembro, foram registrados cerca de 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR, com mais de 35,5 mil hospitalizações de crianças menores de dois anos — o equivalente a 82,5% das ocorrências relacionadas ao vírus no período.
Especialistas destacam que a profilaxia com o anticorpo não é substituída pela vacinação materna durante a gestação quando o bebê se enquadra nos critérios clínicos. Crianças prematuras de até 36 semanas e seis dias também são elegíveis para receber a proteção.
A expectativa das autoridades de saúde é reduzir significativamente as internações por bronquiolite e pneumonia na primeira infância, além de aumentar a segurança dos bebês de maior risco durante a temporada de vírus respiratórios.