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em Segurança

“Aqui é macho, bebê”: família pede justiça após morte de jovem na véspera da formatura em SC

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 05/03/2026 11h53 | Atualizado há 40 dias
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Vídeo gravado dentro do carro registra frase dita pelo motorista momentos antes do capotamento na SC-150. Sarah Louise Held, de 18 anos, havia saído de uma festa de formatura e morreu poucas horas antes da sua própria cerimônia oficial.

Laudos periciais, depoimentos e a denúncia do Ministério Público reconstituem a madrugada em que uma jovem de 18 anos perdeu a vida horas depois de celebrar a conclusão do ensino médio. O motorista responde por homicídio doloso e o MP pede julgamento pelo Tribunal do Júri.

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Uma jovem de 18 anos que horas antes celebrava a conclusão do ensino médio. Um motorista de 20 anos visivelmente embriagado que insistiu em dirigir. Uma rodovia estadual de pista simples, de madrugada, a uma velocidade que testemunhas estimam ter passado dos 130 km/h. O resultado: uma vida interrompida, uma família destruída e um processo criminal que agora caminha para o Tribunal do Júri.

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Informações obtidas com exclusividade pelo Jornal Razão permitem reconstituir o que aconteceu na madrugada de 12 de dezembro de 2025, quando Sarah Louise Held morreu após ser ejetada de um veículo que capotou na SC-150, no interior de Joaçaba.

A festa, o whisky e a insistência para dirigir

Na noite de 11 de dezembro, Sarah, o motorista Pedro Gabriel Callai Susin, de 20 anos, e um terceiro passageiro, de 18 anos, estavam em uma festa de formatura em Joaçaba. A confraternização se estendeu até as 4h da manhã. Conforme depoimentos colhidos pela investigação, o grupo consumiu grandes quantidades de whisky ao longo da noite.

Pessoas presentes no local descreveram que Pedro já apresentava sinais evidentes de embriaguez, com fala enrolada e dificuldade de equilíbrio. Quando o grupo decidiu ir embora, Pedro insistiu para que Sarah e o outro jovem fossem com ele em seu carro.

Segundo depoimentos, Pedro teria dito que, se fosse sozinho, “iria se matar de carro”, e que com passageiros iria mais “de boa”.

Sarah havia acabado de concluir o ensino médio. A cerimônia oficial de formatura aconteceria no dia seguinte.

Ultrapassagens, velocidade extrema e um vídeo dentro do carro

Pedro assumiu a direção de uma VW Parati e partiu pela SC-150 em direção a Capinzal. O que se seguiu, conforme a investigação, foi uma sequência de manobras extremamente perigosas.

Um motorista de aplicativo relatou ter sido ultrapassado pelo veículo em local proibido, na contramão, estimando a velocidade entre 130 e 140 km/h. Antes mesmo de saber do desfecho, esse motorista publicou um relato nas redes sociais alertando sobre a condução do veículo. O passageiro sobrevivente estimou, em depoimento, que o carro chegou a aproximadamente 200 km/h durante o trajeto.

Cerca de três minutos antes do capotamento, o passageiro gravou um vídeo com o celular, posteriormente recuperado pela polícia. Nas imagens, Pedro aparece realizando ultrapassagens e se vangloriando da condução.

“Aqui é macho, bebê. Aqui tem braço.” Fala de Pedro Gabriel, registrada em vídeo gravado dentro do veículo

Ao perceber instabilidade no veículo, o passageiro pediu que Pedro diminuísse a velocidade e lembrou que Sarah estava no carro. Pedro ignorou o alerta e manteve a direção agressiva.

A perícia veicular confirmou que nenhum dos três ocupantes utilizava cinto de segurança.

37,8 metros de frenagem e o capotamento fatal

O acidente aconteceu por volta das 4h40 da madrugada, no km 89,3 da SC-150, na localidade de Linha Caraguatá, interior de Joaçaba. O trecho é uma rodovia simples, fora do perímetro urbano, com limite de 80 km/h.

Conforme a Polícia Científica, após uma curva à esquerda o veículo invadiu a contramão, deixou marcas de frenagem de 37,8 metros, saiu pelo acostamento e colidiu com violência contra uma formação rochosa. Com o impacto, o carro capotou e deslizou de cabeça para baixo de volta à pista, ficando completamente destruído.

O que diz a perícia sobre a velocidade: O cálculo sobre as marcas de frenagem concluiu que, apenas para o veículo parar naquela distância, seria necessária uma velocidade mínima de 84,9 km/h. Como o carro não parou e colidiu violentamente, a velocidade real era significativamente superior ao limite da via.

A perícia descartou falha mecânica como causa do acidente. Os freios funcionavam normalmente.

Sarah, que estava no banco traseiro, foi ejetada durante o capotamento e morreu no local.

O que a perícia revelou sobre a morte

O exame necroscópico realizado pela Polícia Científica de Santa Catarina determinou que Sarah morreu em decorrência de traumatismo craniofacial de altíssima energia. O laudo descreve múltiplas fraturas na região da cabeça, com lesões extensas e absolutamente incompatíveis com a vida.

Os peritos registraram que não foram observadas fraturas significativas no restante do corpo, apenas escoriações em membros e na região dorsal, indicando que o impacto mais severo se concentrou na região craniana.

A situação dos sobreviventes

O passageiro sofreu múltiplas lesões corporais contusas, com escoriações extensas. No hospital, deu entrada lúcido, porém sonolento, com amnésia do momento exato da colisão.

Pedro foi encontrado fora do veículo, desorientado, alternando declarações contraditórias. Sofreu fratura instável na coluna cervical, sendo submetido a cirurgia de urgência. Prontuários hospitalares registraram hálito etílico e o próprio Pedro confirmou à equipe médica que havia ingerido álcool.

Homicídio doloso: a conclusão da investigação

A Polícia Civil concluiu as investigações com o indiciamento de Pedro Gabriel Callai Susin por homicídio doloso, pela morte de Sarah, lesão corporal dolosa, pelos ferimentos causados ao passageiro, e embriaguez ao volante.

A conclusão da autoridade policial é de que não houve simples culpa no trânsito, mas dolo eventual: Pedro assumiu o risco de produzir o resultado ao conduzir altamente embriagado, em velocidades extremas, fazendo ultrapassagens perigosas e transportando passageiros sem cinto de segurança.

O que é dolo eventual? Diferente do homicídio culposo (quando não há intenção), o dolo eventual se configura quando o autor, embora não deseje diretamente o resultado, age com total indiferença quanto à possibilidade de causar a morte. É o que permite, por exemplo, que o caso seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia acompanhando o enquadramento e pediu que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri. O MP também solicitou indenização mínima à família da vítima.

A Justiça determinou medidas cautelares contra o acusado, incluindo suspensão da habilitação e proibição de contato com testemunhas e com a família de Sarah.

O que diz a defesa

A defesa de Pedro contesta parte das acusações. Segundo os advogados, o acusado compareceu espontaneamente à Delegacia após receber alta hospitalar e vem cumprindo as medidas cautelares determinadas pela Justiça.

A defesa sustenta a hipótese de que um veículo pesado teria passado sobre o corpo de Sarah após o acidente, com base em marcas encontradas na pista. A investigação policial e o exame necroscópico, no entanto, refutaram essa versão: conforme a Polícia Científica, as lesões derivaram exclusivamente do choque de alta energia provocado pelo capotamento.

A jovem por trás da tragédia

Sarah Louise Held era conhecida em Capinzal pela dedicação aos estudos e pelo esporte. Atleta de karatê, acumulava conquistas em competições estaduais, nacionais e internacionais. Colegas e professores a descrevem como uma jovem determinada e dedicada.

A comoção causada pela sua morte se intensificou pelo contraste entre a tragédia e o momento que ela vivia: horas antes, celebrava o fim de uma etapa. No dia seguinte, participaria da formatura oficial.

A mobilização por justiça

Familiares, amigos e integrantes da comunidade de Capinzal organizam para o dia 14 de março uma mobilização pública em memória de Sarah. O ato está marcado para ocorrer das 9h às 11h no Calçadão da cidade. Além de homenagens, serão distribuídas mudas de flores com mensagens simbólicas e chocolates, doce preferido da jovem.

Segundo o pai de Sarah, a família reconhece que as autoridades estão conduzindo o processo, mas quer garantir que o caso não seja esquecido.

Enquanto o Ministério Público pede julgamento pelo Tribunal do Júri e o processo segue na Justiça, a mobilização pretende transformar a memória de Sarah em um símbolo de alerta sobre os riscos da imprudência no trânsito.

Para amigos e familiares, o encontro no Calçadão será mais do que um ato público. Será um momento de lembrar uma jovem que tinha sonhos, planos e uma formatura marcada para o dia seguinte. Uma vida que terminou poucas horas antes de começar um novo capítulo.

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