A Delegacia de Roubos da Capital (DRR) revelou ao Jornal Razão, com exclusividade, novos detalhes sobre o assassinato do técnico de enfermagem Luciano da Conceição, de 46 anos, morto dentro da própria casa em Florianópolis. O caso, inicialmente tratado como desaparecimento, foi esclarecido após intensa investigação conduzida pelo delegado Guilherme Mariath e sua equipe da DRR de Florianópolis.

A investigação
Luciano foi dado como desaparecido em 16 de outubro, depois que familiares notaram a ausência do técnico e encontraram sinais de sangue e desordem em seu imóvel, na região continental da capital. O carro, televisão e outros pertences também haviam sumido.

A partir de imagens de câmeras de segurança, a polícia reconstruiu os últimos passos da vítima. As gravações mostraram Luciano ao lado de Everton — um dos suspeitos — em bares e postos de gasolina dias antes do crime. O delegado Mariath confirmou que os autores mantiveram o corpo dentro da casa por dias, retornando ao imóvel diversas vezes para subtrair objetos de valor.
“Eles mataram o Luciano e permaneceram frequentando o local. Usavam o carro da vítima para transportar pertences em diferentes dias. Há imagens, inclusive, de uma bicicleta sendo levada no porta-malas aberto.”
delegado Guilherme Mariath
Durante a perícia, a Polícia Científica encontrou grande quantidade de sangue no interior do imóvel. O corpo foi localizado enrolado em um cobertor no Morro da Asa Delta, em Santo Amaro da Imperatriz, quatro dias após o desaparecimento.
Envolvimento com usuários de drogas

Durante a investigação, a DRR também levantou informações de que Luciano vinha mantendo contato frequente com usuários de drogas na região continental de Florianópolis. Segundo familiares ouvidos pela Polícia Civil, o técnico de enfermagem teria permitido que alguns desses usuários frequentassem sua residência em determinadas ocasiões.
Para os investigadores, essa aproximação pode ter sido o elemento que criou o vínculo entre a vítima e os autores do latrocínio. O delegado Guilherme Mariath confirmou que existe a hipótese de que Luciano teria levado Everton e Bruno para dentro de casa antes de ser atacado.
“A família relatou que ele vinha se envolvendo com usuários de drogas e que, em algumas oportunidades, essas pessoas chegavam a ser levadas para a própria residência.
delegado Guilherme Mariath
Linha do tempo do crime
Segundo a DRR, o desaparecimento foi comunicado no mesmo dia em que a Polícia Militar abordou o carro da vítima em São José. Dentro do veículo estavam dois homens e uma mulher — identificados posteriormente como os suspeitos do latrocínio. O automóvel foi apreendido por irregularidades administrativas, mas nada indicava naquele momento a ligação com o crime.
Nos dias seguintes, investigadores da DRR localizaram Everton e o conduziram à sede da delegacia, no bairro Estreito. Durante a oitiva, ele optou por permanecer em silêncio, mas teria informado extraoficialmente aos agentes que o corpo estava escondido no Morro da Asa Delta, em Santo Amaro da Imperatriz. A confirmação veio no dia seguinte, quando o cadáver de Luciano foi encontrado pela equipe da DDR de Florianópolis.
“Foi um trabalho árduo, com policiais que se dedicaram inclusive no fim de semana. Só após a localização do corpo conseguimos comprovar que se tratava de um latrocínio consumado.”
delegado Guilherme Mariath
Fuga e desfecho no Paraná

Com a autoria identificada, a Polícia Civil representou ao Judiciário pela prisão dos dois envolvidos: Bruno e Everton. Ambos fugiram de Santa Catarina em direção ao Paraná e planejavam cruzar a fronteira com o Paraguai.
A fuga terminou de forma trágica. Durante uma perseguição da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Cascavel (PR), o carro roubado em que estavam capotou. Everton morreu no local, enquanto Bruno sobreviveu e foi posteriormente localizado pela Polícia Civil de Santa Catarina em Londrina, onde acabou preso.

“Tanto o Everton quanto o Bruno já estavam com mandados de prisão expedidos pela Justiça após nós representarmos pelas prisões.
delegado Guilherme Mariath
Próximos passos
As investigações seguem para identificar duas mulheres suspeitas de participação indireta no crime. Uma delas teria sido o elo entre a vítima e os autores do latrocínio. A Polícia Civil busca localizá-las para novas oitivas.
Com a prisão de Bruno e a morte de Everton, a DRR considera o caso esclarecido e encaminhou o inquérito ao Ministério Público para oferecimento da denúncia.

A vítima
Luciano da Conceição era natural de Presidente Epitácio (SP) e atuava como técnico de enfermagem na Grande Florianópolis. Sua morte causou forte comoção entre colegas da saúde e amigos, que desde então vinham cobrando respostas e justiça.

Resumo do caso
- Data do desaparecimento: 16 de outubro
- Corpo localizado: 20 de outubro, em Santo Amaro da Imperatriz
- Causa: latrocínio (roubo seguido de morte)
- Suspeitos: Bruno (preso) e Everton (morto em acidente durante fuga)
- Delegado responsável: Guilherme Mariath (DRR – Polícia Civil/SC)