O assassinato da jovem Giovanna Schmidhauser Schwarzbach, de 23 anos, em Bombinhas (SC), na madrugada de 1º de agosto, ganhou novos contornos com base em imagens exclusivas obtidas pelo Jornal Razão em parceria com o repórter Osmar Teixeira, de Itajaí.
O material, enviado por um morador do prédio onde o crime ocorreu, levanta questionamentos sobre o tempo de resposta do socorro, a conduta de quem estava no local e uma possível tentativa de manipulação da cena antes da chegada da polícia.
As gravações das câmeras de segurança supostamente mostram o suspeito, Kayk Maciel dos Santos, de 18 anos, deixando o prédio calmamente com a ajuda de outro rapaz. As imagens foram registradas às 6h04, aproximadamente uma hora após o disparo que matou Giovanna. O autor do crime aparece de capacete preto, descendo o elevador com outro jovem — o dono da motocicleta usada na fuga.
A tranquilidade dos dois – que supostamente seriam o autor e um amigo – ao deixar o local choca. Sem correr, sem se esconder, como se nada tivesse acontecido. O que mais chama atenção é que, segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a equipe só chegou ao local às 7h11. Ou seja: o corpo da vítima teria, supostamente, ficado por cerca de duas horas sem atendimento, mesmo com sinais vitais, conforme atestado pelos socorristas.
Moto reaparece no prédio minutos antes da chegada da polícia
Outro trecho das imagens revela uma movimentação suspeita no entorno do prédio. Às 6h57, a motocicleta usada por Kayk para fugir do local reaparece na garagem do condomínio. Quem retorna com a moto é outro jovem — não o mesmo que ajudou na fuga — que aparece saindo calmamente com o veículo, sem capacete, pouco antes da chegada da Polícia Militar.
A gravação mostra que a XRE é retirada do local exatamente às 6h57, apenas 13 minutos antes da PM chegar. Segundo a corporação, os agentes foram acionados e chegaram ao endereço por volta das 7h10. Para a polícia, o retorno da moto e sua posterior retirada pode indicar tentativa de encobrir rastros da fuga ou simular abandono.

Socorro demorou ou foi propositalmente retardado?
Relatos de vizinhos e testemunhas ouvidos pelo repórter Osmar Teixeira indicam que o socorro não foi acionado imediatamente. Conforme informações preliminares, Giovanna supostamente teria sido baleada por volta das 5h da manhã. Ainda assim, o Samu, em teoria, só foi chamado às 7h03, quase duas horas depois. A hipótese investigada é de que as pessoas presentes no apartamento poderiam ter retardado o chamado intencionalmente.
“Se o autor do crime foge às 6h04 e a polícia só é chamada depois das 7h, há tempo suficiente pra alterar a cena, esconder provas e ainda tentar manipular a narrativa”, diz uma fonte.
Além disso, a equipe do Samu informou que, ao chegar, ainda encontrou Giovanna com sinais vitais. Foram iniciadas manobras de reanimação, mas a jovem não resistiu. Para os familiares, esse tempo pode ter sido crucial para salvar a vida da jovem.
Silêncio das testemunhas e revolta nas redes sociais
Giovanna estava no apartamento com Kayk, outras duas adolescentes e pelo menos dois rapazes. Nenhuma das meninas que estavam no local se manifestou publicamente até agora. Nos comentários nas redes sociais do Jornal Razão, o silêncio delas tem gerado revolta.
“Com umas amigas dessas, nem precisa de inimiga”, escreveu uma seguidora. “Por que não chamaram o socorro logo? Ela agonizou por quase duas horas?”, questiona outro internauta.
Há ainda críticas sobre a possível omissão de todos os presentes. “Todos têm que ser responsabilizados. Inclusive as meninas. Todos viram e ninguém fez nada”, diz outro comentário que repercutiu.
Última postagem de Giovanna: “Hoje alguém vai chorar”
Horas antes de ser morta, Giovanna publicou uma foto nos “melhores amigos” do Instagram com a frase: “Hoje alguém vai chorar e não vai ser eu 😂😂😂😂😂”. A imagem foi enviada por uma amiga ao Jornal Razão e passou a ser encarada como um possível prenúncio trágico do que viria a acontecer.

Segundo o relato dessa amiga, Giovanna estava em casa, pronta para dormir, quando recebeu um convite inesperado para uma festa em Porto Belo. Mesmo com o apelo dos “pais do coração” para que ela não saísse, decidiu ir. Naquela noite, acabou cruzando o caminho de Kayk e, horas depois, foi atingida por um tiro à queima-roupa no tórax.
O comportamento de Kayk após o disparo, sua fuga e a tentativa de ocultar provas pesam contra ele. O suspeito segue foragido. A Polícia Civil pede que qualquer informação sobre o paradeiro de Kayk seja repassada de forma anônima pelo telefone 181.
Enquanto isso, o clima em Bombinhas e Itajaí é de comoção. Giovanna era muito querida, sonhava com a realização profissional em seu próprio espaço de beleza e tinha uma vida inteira pela frente.
O Jornal Razão continua acompanhando todos os desdobramentos do caso. Novas imagens e informações devem ser divulgadas nos próximos dias.