A interdição de um espaço infantil no bairro Rio Pequeno, em Camboriú, gerou forte reação de mães que dependiam do local para poder trabalhar. A Vigilância Sanitária, em conjunto com o Conselho Tutelar e a Secretaria de Finanças, encerrou as atividades após constatar que a responsável apresentava um alvará irregular.
Segundo nota oficial, 12 crianças estavam sob cuidados irregulares. Para as autoridades, a prioridade é a segurança, já que locais sem autorização não passam pelas exigências de fiscalização necessárias.
Mas a decisão desencadeou indignação entre pais, principalmente mães trabalhadoras, que afirmam não ter onde deixar os filhos. Muitos relataram que as vagas nas creches municipais são insuficientes e que a babá representava uma solução segura e de confiança.

Voz das famílias
As redes sociais se encheram de relatos emocionados. Uma das mães, Emiliana Vieira, afirmou: “Meu Deus, gente, a babá cuidava muito melhor que as professoras da própria creche. Tinha muito amor, carinho, aprendizado, brincadeiras saudáveis e comidas somente saudáveis. Deixei meus dois filhos com ela e não me arrependo. A casa é limpa, o terreno é limpo. Tudo limpinho lá. As crianças eram a renda dela e tiraram isso dela.”
Outra mãe, Evely Santos, reforçou a confiança: “É revoltante! Meus filhos iam na casa da babá que era uma pessoa muito de confiança, todos amavam. Lá eles eram muito bem cuidados, aprendiam princípios e ela sempre procurava algo pra distrair eles, não ficavam jogados. Queria saber o que os pais fazem agora porque temos que trabalhar.”
Houve também relatos de situações em que a cuidadora foi além de suas funções. Em um deles, uma mãe contou: “A babá simplesmente, com maior amor e carinho e por conta própria, fez uma festinha pro Miguel de 1 ano pra comemorar com ela e os amiguinhos. Ela pagou tudo, alugou brinquedos e fez com maior carinho.”
Outra mãe desabafou sobre a dificuldade de conseguir vaga pública: “Quando eu ia direto na Secretaria da Educação pedir vaga e o pessoal falava que não tinha, era ela que cuidava para eu poder trabalhar. E ela cuidava com muito amor e carinho, eu trabalhava em paz porque eu sabia que eles estavam sendo bem cuidados.”
Um comentário também criticou a fiscalização: “Engraçado, quando meu filho quase morreu em uma creche irregular e eu fiz a denúncia no conselho, não foram nem averiguar. Agora, uma pessoa trabalhando e cuidando bem das crianças eles querem fechar.”
Insegurança e cobrança às autoridades
A medida também levantou questionamentos sobre a falta de alternativas. “Já tive experiência com quatro babás que iam na minha casa e não foram boas. E agora? Todas vão ter que regularizar ou vão arrumar lugar para deixar as crianças? Ou a gente vai ter que parar de trabalhar?” questionou outra mãe.
Em meio à indignação, houve cobranças diretas à Prefeitura e ao Conselho Tutelar. “Vocês deveriam dar alvará pra essa moça. Ela tomou foi um golpe. Não deixem pais sem trabalho e crianças sem cuidado. Crianças nas ruas vocês não fiscalizam, mas quem cuida direitinho vocês fecham”, escreveu Vanderleia Souza.
O outro lado
A Vigilância Sanitária afirmou que a interdição ocorreu porque a responsável apresentou um alvará falso e que o espaço não poderia funcionar sem autorização. A medida, segundo o órgão, tem como base garantir a segurança e o bem-estar das crianças.
Familiares da cuidadora, no entanto, afirmam que ela teria sido vítima de um golpe e acreditava que o documento estava regular.