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Bebê de 2 meses morre desnutrido e com costelas à mostra sob cuidados de babá no Vale do Rio Tijucas

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 05/05/2026 13h38 | Atualizado há 13 dias
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Conforme apurou o Jornal Razão, a mesma cuidadora já havia sido denunciada em 2024 por lesões em outra criança. Polícia Civil apura omissão de socorro com resultado morte e maus-tratos.

Um bebê de aproximadamente 2 meses morreu na madrugada desta segunda-feira em São João Batista, no Vale do Rio Tijucas, depois de horas em parada cardiorrespiratória sob cuidados de uma babá enquanto a mãe trabalhava no período noturno. A criança chegou ao Hospital Monsenhor José Locks já sem reação, com sinais aparentes de desnutrição e o gradil costal exposto, segundo relato do médico que recebeu o atendimento. O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina como omissão de socorro com resultado morte e maus-tratos.

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Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a guarnição foi acionada via Copom para atender a ocorrência no hospital, onde o lactente havia sido encaminhado em parada cardiorrespiratória. A primeira ligação ao SAMU foi feita por uma mulher por volta das 3h50. Inicialmente, a equipe chegou a tratar o chamado como possível trote, porque a comunicante apresentava comportamento inadequado e ria durante a chamada. Em novo contato, a médica plantonista do SAMU realizou videochamada e constatou que o bebê estava de fato em parada. Foram repassadas, então, orientações para o início imediato das manobras de reanimação.

A estimativa repassada pela equipe do SAMU é de que a criança já estivesse em parada há cerca de 20 minutos quando o primeiro contato foi feito. O Hospital Monsenhor José Locks fica a aproximadamente 5 minutos da residência onde o bebê estava, mas a criança não foi levada diretamente pelos responsáveis. A unidade móvel é que se deslocou até o endereço, na região da Ribanceira do Sul, e fez o transporte do paciente até o hospital.

Cena descrita pelo SAMU

Durante o atendimento, a equipe percebeu o que descreveu como aparente falta de preocupação dos adultos no local. Segundo o relato repassado à Polícia Militar, os responsáveis demonstravam mais interesse em questões cotidianas, como o preparo de café e compromissos de trabalho, do que com a situação do bebê. A mãe, conforme a equipe, não demonstrava interação com a criança naquele momento. A cuidadora e demais pessoas presentes na casa apresentavam comportamento excessivamente calmo e frio diante do quadro.

O que dizia o quadro clínico

Conforme o médico responsável pelo atendimento hospitalar, o bebê deu entrada por volta das 5h15 já em manobras de reanimação realizadas pelo SAMU. Apresentava resfriamento cadavérico, pupilas midriáticas e não reagentes à luz, ausência de reflexos. Foram feitos três ciclos de ventilação por ambu e máscara, todos em assistolia. Como o paciente não tinha possibilidade de reversão do quadro, o óbito foi declarado às 5h30. Ao todo, a equipe do SAMU já realizava manobras de reanimação havia mais de 45 minutos.

Na avaliação clínica, o médico observou sinais compatíveis com desnutrição proteico-energética: gradil costal exposto, presença de prega cutânea, baixo peso e mucosas ressecadas. O quadro, conforme registrado em relato à polícia, indica possível situação de maus cuidados domiciliares. O bebê também apresentava fenda palatina, condição que pode dificultar a alimentação e favorecer episódios de broncoaspiração, apontada como causa provável do evento, a ser confirmada por perícia da Polícia Científica.

O que disseram a mãe e a babá

À polícia, a mãe relatou que estava trabalhando no período noturno e havia deixado o filho sob cuidados da babá, que costumava receber a criança nessas ocasiões. Disse que recebeu uma ligação por volta das 4h pedindo que se deslocasse até o hospital e tomou conhecimento do que tinha acontecido apenas no local.

A cuidadora afirmou que acordou por volta das 3h50 para alimentar o bebê e, nesse momento, percebeu que ele já estava frio. Disse que avisou a mãe e acionou o SAMU. A versão dela é a de que a primeira ligação não foi considerada e que, em novo contato, recebeu por videochamada as orientações para realização das manobras de reanimação até a chegada do socorro.

O que apurou o Jornal Razão sobre a babá

A reportagem do Jornal Razão apurou que a cuidadora não está envolvida em uma ocorrência policial pela primeira vez. Em 2024, a mesma mulher figurou como denunciada em um boletim de ocorrência por maus-tratos e lesão corporal contra criança menor incapaz, também em São João Batista.

Naquele caso, uma bebê de 1 ano havia sido deixada com a mesma babá enquanto a mãe trabalhava à noite. Após dias sob cuidados da cuidadora, a criança foi devolvida com lesões na parte frontal da face. A mãe levou a bebê ao hospital para a realização de tomografia, com receio de fratura, e acionou polícia e Conselho Tutelar. A versão repassada à época pela cuidadora foi a de que a criança teria caído de uma caixa de brinquedos.

A Conselheira Tutelar acionada na ocorrência desta segunda-feira informou à Polícia Militar que, ao verificar o endereço dos fatos, constatou que já existem registros anteriores de possíveis violações envolvendo aquela residência, onde a mesma cuidadora presta atendimento a outras crianças.

Para onde foram conduzidas

Diante dos fatos e dos indícios verificados, a mãe e a cuidadora foram conduzidas pela Polícia Militar de Santa Catarina à Delegacia de Polícia Civil de São João Batista para os procedimentos legais cabíveis. As circunstâncias do óbito, a eventual responsabilidade por omissão de cuidado e a hipótese de maus-tratos serão apuradas pela autoridade policial competente, com apoio da perícia técnica da Polícia Científica.

Até a última atualização, a investigação seguia em andamento. O Conselho Tutelar de São João Batista também acompanha o caso.

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