O que começou como uma briga banal entre “adultos” terminou em uma das cenas mais traumáticas já registradas em Nonoai, no Norte do Rio Grande do Sul. Uma criança de 10 anos morreu após ser atingida por um tiro no pescoço, disparado durante um conflito que já vinha se arrastando há semanas e era conhecido pela polícia. Tudo começou no RS e terminou em Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil, o desentendimento teve origem em uma disputa pelo fornecimento de energia elétrica para uma rampa de lavagem de veículos. O padrasto da criança, proprietário do poste onde estava instalado o relógio de luz, decidiu retirar o equipamento, o que gerou atritos com o dono da rampa. O clima ficou tenso, houve ameaças e registros anteriores de disparos. A polícia chegou a intervir, fez buscas e orientou as partes a encerrar o conflito, alertando que a situação poderia terminar de forma grave.
Na manhã do dia do crime, segunda-feira (12), os dois homens voltaram a se encontrar na rua. Houve discussão, troca de ofensas e até uma possível colisão entre veículos, mas nada evoluiu naquele momento. Horas depois, por volta do meio dia, a situação saiu completamente do controle.
Um terceiro homem, parente do dono da rampa, apareceu na rua armado com um facão e em estado avançado de embriaguez, causando tumulto. Pessoas que estavam no local tentaram desarmá-lo. Durante essa confusão, o padrasto da criança teria repreendido a ação, afirmando que os outros estariam se aproveitando do estado do homem embriagado.

Foi nesse momento que, conforme a investigação, o proprietário da rampa, já armado, avançou contra o padrasto com intenção de matá-lo. Ele efetuou mais de um disparo de arma de fogo. Um dos tiros atingiu o pescoço da criança, que não tinha qualquer envolvimento direto na briga. O garoto morreu antes de conseguir atendimento médico.
O autor dos disparos fugiu logo após o crime. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil confirmaram que foi ele quem atirou. A ocorrência mobilizou a Brigada Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e forças de segurança de Santa Catarina, já que o autor deixou o estado gaúcho.
Horas depois, por volta das 22h, ele foi localizado e preso na casa de um filho, em Chapecó, no Oeste catarinense. O homem foi encaminhado ao sistema prisional, e a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, classificando o caso como um crime gravíssimo.
A investigação segue para esclarecer todos os detalhes, mas a linha principal já está definida. A morte da criança foi consequência direta de um conflito prolongado entre adultos, agravado por histórico de violência, consumo de álcool e acesso a arma de fogo. Uma tragédia anunciada que terminou da pior forma possível e deixou uma cidade inteira em choque.