O caso que chocou moradores do bairro Campeche, no sul da Ilha, ganhou um novo desdobramento. O Jornal Razão teve acesso à certidão de óbito que contraria a versão inicial apresentada à Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC). O documento indica que Charles Luiz Silveira, de 46 anos, morreu em decorrência de ferimentos provocados por arma branca, e não por ataque de cachorro, como havia sido informado no primeiro momento.
A ocorrência aconteceu na madrugada de terça-feira (14), quando a PM foi acionada para atender um caso de invasão de residência. Na ocasião, o morador relatou que Charles estaria em surto, teria invadido o terreno e sido atacado pelo cão da família. A história rapidamente se espalhou como a de um “cachorro herói” que teria matado um criminoso e protegido os tutores.

Porém, o documento emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) aponta outra causa da morte: “homicídio por arma branca”, com traumatismo na perna esquerda e choque hipovolêmico — perda de sangue causada por ferimento profundo. O médico responsável não mencionou ferimentos compatíveis com mordidas de animal.
Familiares de Charles afirmam estar revoltados com o que foi divulgado. Segundo eles, o homem lutava contra o vício em drogas e havia deixado uma clínica de reabilitação no último domingo, em busca de um recomeço.
“Sou da família do Charles Luck Silveira. Tenho laudo, meu irmão foi assassinado a sangue frio com facadas e pauladas, pelos proprietários da residência porque foi cobrar uma dívida, ele diz que meu irmão era um desconhecido, porém frequentava frequentemente a residência dele a uns meses atrás, inclusive meu irmão emprestou dinheiro para ele”, disse sua irmã.
Ainda conforme relatos, após derrubar o portão, Charles entrou em luta corporal com o morador e sua companheira. Pouco tempo depois, foi encontrado caído e ferido, vindo a morrer no local.
A Polícia Civil de Santa Catarina segue investigando o caso. A Polícia Científica deve emitir novos laudos periciais que poderão esclarecer a dinâmica dos fatos e confirmar se houve tentativa de encobrir a real causa da morte.
O Jornal Razão segue acompanhando as investigações.