A tranquilidade de Major Vieira, cidade com pouco mais de 7.500 habitantes no Planalto Norte de Santa Catarina, foi abalada em abril deste ano, quando um menino de apenas 7 anos foi baleado dentro do carro da família durante um atentado. O caso comoveu o Estado e se tornou o estopim para uma ofensiva sem precedentes da segurança pública no município.
Na manhã desta sexta-feira (29), a Polícia Civil e a Polícia Militar deflagraram a Operação Ruptura, mobilizando mais de 100 agentes e mais de 30 viaturas, além de helicóptero e cães farejadores, para executar mandados contra uma facção criminosa que aterrorizava a região. A ação representa uma resposta direta ao atentado contra a criança e à escalada da violência nos últimos meses.
O ataque que mudou tudo
Na noite de 27 de abril, a família do garoto trafegava pela cidade quando criminosos abriram fogo contra o veículo. Um dos tiros atravessou o banco e atingiu as costas da criança, que foi socorrida em estado grave e transferida para o Hospital Infantil Jeser Amarante Faria, em Joinville. Ele passou dias internado na UTI e só deixou o setor após apresentar melhora significativa. O caso gerou comoção e indignação em todo o Estado.
Facção aterrorizava cidade pequena
A partir daquele atentado, a Polícia Civil intensificou investigações sobre uma série de crimes na cidade. Segundo o delegado Nadal Júnior, a organização criminosa vinha cometendo oito tentativas de homicídio e um assassinato consumado. Além disso, moradores relatavam que a cidade vivia um clima constante de medo, com circulação de criminosos armados e tiroteios à luz do dia.
Com o avanço das investigações e a coleta de provas, chegou-se ao núcleo da quadrilha, que foi alvo da operação desta sexta-feira.
Operação Ruptura: resposta à altura
Batizada como “Ruptura”, a operação teve como objetivo justamente romper o ciclo de terror instalado na cidade. Os mandados foram cumpridos em Major Vieira e também em Canoinhas, com apoio aéreo e unidades especializadas.
Resultados da ação:
- 16 mandados de busca e apreensão
- 8 prisões
- 6 armas de fogo apreendidas
- 86 munições recolhidas
- 3 rádios comunicadores
A polícia também apreendeu documentos, celulares e outros elementos que serão analisados pela inteligência para aprofundar a apuração.
Alívio e esperança
O barulho das viaturas e do helicóptero nesta manhã foi diferente: não era mais medo, mas sim o início de um alívio. A população de Major Vieira, que até então vivia acuada, começa a ver uma reação concreta do Estado contra a criminalidade.
O menino baleado, que sobreviveu ao atentado, se tornou um símbolo involuntário dessa virada. A operação que levou à prisão de seus agressores é, mais do que tudo, um recado: Santa Catarina não vai tolerar que facções transformem cidades pequenas em reféns da violência.


