Pais e alunos do Colégio Maria Amália Cardoso, em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, denunciaram à Polícia Militar e à Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED) uma professora que se apresenta como “Ju Geraldo”, apontada como responsável pelo desaparecimento de valores arrecadados para formaturas de duas turmas do 3º ano do ensino médio.
Segundo o relato formalizado pelos pais, “Ju”, cujo nome de registro seria Márcio, ficou encarregada da organização dos eventos de formatura e da intermediação de pagamentos com empresas contratadas. As turmas arrecadaram o dinheiro por meio de rifas, mensalidades e festas escolares, mas, ao verificarem com os fornecedores, descobriram que nenhum repasse havia sido feito.
O montante total desaparecido, segundo os pais, pode ultrapassar R$ 40 mil, considerando valores provenientes de rifas, contribuições e vendas promovidas ao longo do ano letivo. As empresas envolvidas — uma de formaturas e outra de viagens — confirmaram que não receberam os pagamentos acordados.
As trocas de mensagens nos grupos de WhatsApp mostram a professora sendo cobrada pelos pais sobre o destino do dinheiro. Em uma das conversas, ela responde:
“Pessoal, peço perdão, nunca quis causar nenhum tipo de transtorno… como falei, não sou bandida… vou acertar tudo que tiver que acertar.”

Em outro trecho, Jusany diz precisar de “uns dias” para resolver as pendências, alegando estar com problemas de saúde. Questionada sobre o motivo de não responder e sobre o destino dos valores, manteve a promessa de “acertar tudo”, mas não apresentou comprovantes nem data definida para restituição.
“Eu me perdi em algumas prestações e em algumas contas, mas não sou bandida… trabalhei muito para que eles realizassem o sonho deles. Semana que vem estarei melhor de saúde, se Deus quiser, e vou conseguir resolver os problemas.”
Após o episódio, os pais buscaram a Secretaria de Educação e descobriram que a profissional supostamente não possui graduação válida. Segundo informações repassadas aos responsáveis, o diploma apresentado por “Ju” seria falsificado, e a SED abriu processo administrativo disciplinar para apurar o caso.
A mesma professora também estaria vinculada à outra escola, em Santo Amaro da Imperatriz, onde outras irregularidades estariam sob análise.
Comportamento em sala de aula
Além das denúncias financeiras, o relato protocolado pelos pais menciona condutas inadequadas da professora em sala de aula, com uso de linguagem obscena e comentários de cunho sexual diante de alunos menores de idade. Há também menção a indicativos de fraude em um suposto intercâmbio internacional, no qual estudantes foram convidados a gravar vídeos e enviar fotos pessoais para uma “seleção” que, segundo o relato, nunca existiu.
Os pais expressaram preocupação quanto ao destino das imagens dos alunos, já que o professor teria acesso aos sistemas internos da escola e arquivos estudantis.
Em meio à repercussão, a Secretaria de Educação confirmou que o caso é acompanhado pela Polícia Civil e que a unidade passará por mudança de direção nos próximos dias. A coordenadora pedagógica Daniela Pereira, que já atuava interinamente, deverá assumir oficialmente a gestão do colégio.
A SED informou ainda que acompanha o processo para garantir a continuidade das aulas e o restabelecimento da rotina escolar dos estudantes.
Em contato com pais e alunos, “Ju” negou ter cometido crime e afirmou ser vítima de ataques pessoais e se vitimizou:
“Não é fácil ser preta e trans em Santa Catarina.”
O caso segue em apuração pela Delegacia de Polícia de Governador Celso Ramos, enquanto o processo administrativo tramita na Secretaria de Estado da Educação.
As famílias aguardam esclarecimentos sobre o paradeiro do dinheiro e pedem celeridade na conclusão das investigações.