O desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), usou as redes sociais nesta terça-feira (28) para criticar a operação policial que deixou 64 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Na publicação, ele afirmou que “segurança pública não se faz com violência pública” e classificou a estratégia de confronto como um modelo “fracassado”.

Segundo o magistrado, operações desse tipo provocam suspensão de aulas, paralisação de serviços de saúde e transporte, além de gerar enfrentamentos e mortes que pouco alteram a realidade das comunidades. Ele destacou que a rotina dos moradores volta ao normal dias depois, sem mudanças estruturais nas condições de vida.

“Essa fórmula ‘operação policial → confronto → mortes → prisão’ já se comprovou fracassada”, escreveu o desembargador.
Buch defendeu que o caminho para a redução da criminalidade passa por políticas públicas inclusivas, como habitação, saneamento, saúde, educação, cultura, lazer e empregabilidade. “Não se faz guerra contra a própria população”, afirmou.
A manifestação ocorre após a operação Contenção, deflagrada pelo governo do Rio de Janeiro, que mobilizou centenas de agentes e resultou em um dos maiores confrontos da história do estado. O saldo até o momento é de 64 mortos, entre bandidos e policiais, além de 81 presos e 75 armas apreendidas, segundo balanço divulgado pelas autoridades fluminenses.
A ação, classificada pelo governador Cláudio Castro (PL) como a “maior já realizada no estado”, provocou interrupção de aulas, fechamento de vias expressas e medo entre moradores. Helicópteros, blindados e drones foram usados pelos agentes, enquanto criminosos reagiram com armamento pesado e barricadas.
O governo do Rio defende a operação como necessária para conter o avanço de facções criminosas.
