Valter de Vargas Aita, 41 anos, era conhecido nas academias de Chapecó como “Valtinho”. Fisiculturista premiado, educador físico respeitado e inspiração nas redes sociais, ele vivia uma rotina intensa de treinos, dieta e dedicação ao corpo. Mas por trás dos músculos e da disciplina, havia um relacionamento que se desfez da pior forma.
Na manhã de domingo (7), Valtinho foi encontrado morto nas escadas do prédio onde morava, no Centro de Chapecó. Ele estava nu, com cortes profundos no abdômen, costas, pescoço e rosto. Tentou pedir socorro, mas caiu antes de chegar à rua. Os rastros de sangue nos corredores contavam, em silêncio, os últimos passos de sua vida.
Dentro do apartamento, a companheira dele, Andréa Carvalho Aita, de 43 anos, também estava ferida. Foi levada ao hospital. Ao ser questionada pela Polícia Militar, alegou que o assassinato foi motivado por uma traição.


“Ia embora por causa da traição”
Segundo Andréa, o relacionamento de sete anos havia ruído nos últimos dias. Ela contou que descobriu que Valter supostamente a havia traído, e que estava de malas prontas para deixar o apartamento e ir morar com a avó.
Disse que, ao preparar o café naquela manhã, supostamente foi abordada por Valter na cozinha. Ele teria a sacudido com força, saiu e voltou do quarto com uma faca. Segundo ela, foi atingida pelas costas e reagiu como pôde. Tomou a arma da mão dele e desferiu os golpes fatais.
Essa é a versão da acusada, ainda sob avaliação da Polícia Civil. Testemunhas relataram gritos e barulho de briga no início da manhã. Uma vizinha viu Valter cambaleando no corredor, ensanguentado, antes de desabar.
O passado de Andréa: condenada por latrocínio
Enquanto recebia atendimento médico, o nome de Andréa foi consultado no sistema. A ficha revelou algo estarrecedor: ela era foragida da Justiça do Rio Grande do Sul. Em Santa Maria, sua cidade natal, havia sido condenada a 15 anos, 2 meses e 20 dias de prisão em regime fechado por latrocínio — roubo seguido de morte.
A sentença era definitiva e tramitava na Vara de Execução Criminal Regional. Desde 2023, Andréa deveria estar cumprindo pena. Mas vivia livre, sob outro sobrenome, em Santa Catarina, ao lado de Valter. Oficialmente, atuava como “personal trainer”.
Segundo as informações às quais o Jornal Razão teve acesso, consta que a Justiça já havia autorizado que ela se entregasse voluntariamente, em 2023, para evitar constrangimento. Isso nunca aconteceu. A mulher permaneceu em liberdade até o dia do crime.
Prisão após cirurgia
Depois de passar por procedimento cirúrgico no Hospital Regional do Oeste, Andréa teve alta no início da noite e foi transferida diretamente para o Presídio Feminino de Chapecó. Agora, além da pena por latrocínio, ela responderá por homicídio doloso consumado.
A Polícia Civil já solicitou conversão da prisão em flagrante para temporária, enquanto investiga a dinâmica do crime. Perícia e testemunhas vão ajudar a esclarecer o que realmente aconteceu dentro do apartamento.


Valtinho: vida dedicada ao esporte
Valter era conhecido em Chapecó, especialmente no meio esportivo. Atuava como personal trainer e foi vice-campeão mundial de fisiculturismo pela World Fitness Federation. Venceu cinco campeonatos estaduais e mantinha uma base fiel de alunos e seguidores nas redes.
O estúdio onde ele trabalhava publicou uma nota comovente:
“Para sempre em nossos corações, Valtinho. Perdemos mais que um profissional — perdemos um amigo.”
O que está em jogo
A defesa de Andréa ainda não se pronunciou oficialmente. O histórico do casal está sendo levantado pelos investigadores, que avaliam se a alegação de legítima defesa tem fundamento, ou se o crime foi uma reação desproporcional e premeditada. O passado criminal da autora pesa contra.
