Reações políticas e ideológicas após a ocorrência no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, passaram a defender o fim da Polícia Militar de Santa Catarina e acusar o Estado de repressão em comunidades periféricas. As manifestações surgiram após a divulgação de vídeos e relatos parciais da abordagem policial, que rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais.
Parlamentares, ativistas e influenciadores ligados à esquerda passaram a classificar a ação como “violenta” e “desproporcional”, usando expressões como “é proibido ser feliz na periferia” e associando a atuação policial a uma suposta política de repressão social. Em publicações, alguns chegaram a afirmar que a Polícia Militar “não protege, reprime” e que comunidades seriam tratadas como inimigas do Estado.
Uma das manifestações mais compartilhadas foi da vereadora Ingrid Sateré Mawé, do PSOL, que afirmou que o episódio seria “grave e inaceitável” e anunciou que pretende acionar o Ministério Público de Santa Catarina para investigar a conduta dos policiais envolvidos. Segundo ela, a ação teria ocorrido durante a comemoração do aniversário de uma barbearia na comunidade.
A vereadora também reforçou o discurso contra a Polícia Militar e defendeu publicamente a desmilitarização.
Em resposta a um comentário nas redes sociais que dizia “precisamos urgente desmilitarizar a polícia”, a parlamentar respondeu de forma direta: “pra ontem”.
Nos comentários das publicações, internautas passaram a acusar policiais de agressão, pedir afastamento de agentes e questionar a própria existência da corporação. Algumas mensagens afirmam que “essa é a polícia de SC” e que “autoridade não pode ser licença para violência”, enquanto outras associam o caso a debates nacionais sobre violência policial e feminicídio.
Por outro lado, o registro oficial da ocorrência, já divulgado, aponta um cenário diferente. Conforme o boletim, a Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada após quatro denúncias formais de perturbação do sossego, com informação de possível presença de pessoas armadas no local. Durante a abordagem, parte do grupo se recusou a cumprir ordens legais, hostilizou os policiais, arremessou objetos de vidro contra a guarnição e tentou impedir prisões, o que levou ao uso de meios não letais e à condução de envolvidos à delegacia.
Uma das envolvidas na ocorrência admitiu que se recusou a cumprir as ordens da PMSC. Durante a abordagem, os militares ordenaram que as pessoas levantassem as camisas. Entretanto, ela se recusou, questionando o que considerou como “cerceamento do direito de ir e vir”.
Até o momento, não há confirmação oficial de afastamento de policiais. A PMSC sustenta que a ação seguiu o uso progressivo da força, diante de resistência ativa, agressões e risco à integridade dos agentes e de terceiros.