A reportagem do Jornal Razão identificou, com exclusividade, os dois homens presos na operação conjunta das polícias Civil e Militar após o quádruplo homicídio ocorrido no bairro Timbézinho, em São João Batista (SC). São eles Claudiomiro Rodrigues Teodoro, de 41 anos, natural de São Francisco de Paula (RS), conhecido como “Alemão”, e Pablo Manso Bandeira, de 22 anos, nascido em Sapucaia do Sul (RS), apelidado de “Pablinho”.
O caso marcou a cidade no dia 17 de maio de 2025, quando moradores ouviram gritos e uma explosão na Estrada Municipal do bairro Timbézinho. Minutos depois, o Corpo de Bombeiros encontrou um veículo GM Corsa tomado pelo fogo. No interior do carro, quatro corpos carbonizados, todos jovens da região.
Os bastidores do crime
As investigações apontam que as vítimas foram mortas em um ponto de tráfico de drogas do bairro, no fim da mesma rua onde o carro foi encontrado. Policiais descobriram manchas de sangue no local, cobertas de forma precária com folhas e galhos. Os autores tentaram apagar os vestígios, mas a perícia comprovou o cenário de violência extrema.
Segundo a apuração, as vítimas teriam sido executadas ali, após sessão de espancamento e esfaqueamento. Depois, os corpos foram colocados no veículo, levados para a estrada de terra e carbonizados com o uso de gasolina. Um galão foi deixado no local.
Imagens de câmeras de monitoramento ajudaram a polícia a identificar o carro utilizado para dar apoio ao crime e buscar os autores após o incêndio. O veículo de apoio era dirigido por um dos suspeitos agora presos.

Prisões e fuga
Com os mandados de prisão em mãos, equipes do TÁTICO e da Polícia Civil cercaram as residências dos alvos para evitar fuga para áreas de mata. As prisões ocorreram sem troca de tiros, após cerco e verbalização. Outros três suspeitos já identificados fugiram e são procurados.
Os presos foram levados à delegacia para os procedimentos legais. A reportagem do Jornal Razão confirmou que um dos presos seria o mandante da chacina, enquanto o outro era o proprietário do veículo incendiado.
Vítimas da barbárie
A identificação das vítimas só foi possível após análise da Polícia Científica. Eram jovens moradores da cidade, três deles já conhecidos da polícia por envolvimento com drogas e crimes patrimoniais:
• Gabriel de Azevedo Pereira, 20 anos, natural de Tijucas (SC), registro por tráfico.
• Gabriel Salomão de Sousa, 19 anos, natural de Porto Alegre (RS), registro por crime de menor potencial ofensivo.
• Guilherme Vinicius Bittencourt, 18 anos, natural de Gravataí (RS), registro por crime contra o patrimônio.
• Tieisson Ramon de Oliveira, 36 anos, natural de Estância Velha (RS), sem antecedentes criminais.
As vítimas haviam sido dadas como desaparecidas, o que aumentou a suspeita de ligação com a chacina. Segundo a Polícia Civil, o crime estaria relacionado a uma disputa entre facções pelo controle do tráfico no Vale do Rio Tijucas.
Cenário de vulnerabilidade
O bairro Timbézinho, palco do crime, é uma das áreas mais carentes de São João Batista, marcada por bolsões habitacionais e vulnerabilidade social. A presença do crime organizado intensificou a disputa violenta na região, tornando o local cenário de execuções recentes.
O que dizem as autoridades
As investigações seguem em sigilo, mas o delegado Cristiano Sousa afirma que a motivação principal foi um acerto de contas do tráfico de drogas. A Polícia Científica ainda trabalha para concluir os laudos periciais, fundamentais para elucidar o caso e comprovar detalhes das execuções e carbonização dos corpos.
O cenário em São João Batista mudou drasticamente em poucos meses. Com 32.687 habitantes, o município saltou do zero para seis homicídios entre janeiro e maio deste ano, segundo relatório da Secretaria de Segurança Pública. Esse aumento colocou a cidade no topo do ranking estadual, indo na contramão do que ocorre no restante de Santa Catarina, que vive o menor índice de assassinatos dos últimos quatro anos.
O crime que mais impactou a estatística local foi justamente a execução quádrupla ocorrida no bairro Timbézinho, responsável por elevar a taxa de homicídios a níveis inéditos no município. Além do quádruplo homicídio, outro caso chocou os moradores: em fevereiro, um jovem de 23 anos matou o próprio pai a tesouradas, após anos de desentendimentos familiares e episódios de violência doméstica. Esses casos isolados mudaram o status da cidade, que antes figurava entre as mais tranquilas da Grande Florianópolis.
Enquanto outros municípios catarinenses apresentaram redução ou estabilidade nos crimes contra a vida, São João Batista se tornou destaque negativo, com episódios violentos diretamente ligados à vulnerabilidade social, tráfico de drogas e conflitos familiares. O contexto da cidade evidencia como a falta de estrutura e oportunidades abre espaço para o avanço da criminalidade e reforça a importância de medidas urgentes para conter a escalada da violência.
