Falsa biomédica é denunciada por aplicar preenchimentos estéticos em dezenas de mulheres em Florianópolis: vítimas relatam deformações, infecções e abandono
Florianópolis se tornou palco de uma denúncia alarmante que está ganhando força nas redes sociais: uma mulher identificada como Suelen Damasceno da Silva, que se apresentava como biomédica e oferecia procedimentos estéticos como preenchimento labial, nasal e de mandíbula, está sendo acusada por dezenas de mulheres de atuar sem habilitação legal e provocar sérios danos à saúde de suas clientes.
Segundo relatos colhidos nas redes sociais e em grupos de denúncia, Suelen afirmava ser biomédica estética, porém não possui registro no CRBM (Conselho Regional de Biomedicina). De acordo com vítimas, ela realizava os procedimentos sem qualquer segurança técnica: não utilizava luvas, reutilizava agulhas, aplicava substâncias não autorizadas pela Anvisa e ainda prescrevia medicamentos controlados, como corticoides, mesmo sem ser médica.
Uma das vítimas, Vitória, relatou que teve reações severas após fazer preenchimento labial, no queixo e no nariz. Ela afirma ter ficado com o rosto inchado por quatro meses, sem nenhum tipo de suporte ou acompanhamento. A profissional dizia que era “normal” e a orientava a tomar corticoide em altas doses, mesmo sem prescrição médica. Quando procurou a UPA, a médica plantonista confirmou que as reações eram consequência direta de um procedimento mal feito.
Vitória ligou para o CRBM5 (Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região) e foi informada de que Suelen não possuía registro. A partir disso, decidiu tornar pública a situação nas redes sociais e descobriu que dezenas de outras mulheres passaram por situações semelhantes. Algumas relataram deformações permanentes, outras ainda enfrentam cirurgias corretivas e sequelas psicológicas, como perda de autoestima e crises de ansiedade.
Outra cliente, identificada como Isabela, conta que após um preenchimento labial teve dores absurdas, lábios roxos e edemaciados e, mesmo após três meses, continua com a boca ressecada, rachada e cheia de nódulos. “Me sinto super arrependida e frustrada. Só queria que minha boca voltasse ao normal. Cuidado com onde e com quem vocês fazem esses procedimentos. Não é só estética, é saúde também”, alertou.
Há relatos ainda mais graves: uma das mulheres teve infecção severa e precisou de internação no Hospital Universitário (HU), em Florianópolis. Segundo prints compartilhados em grupos de denúncia, há ao menos 13 vítimas que registraram boletins de ocorrência. Uma delas afirma ter saído recentemente do hospital e já estar com cirurgia reparadora agendada.

Nas mensagens trocadas via WhatsApp com uma das clientes, Suelen chegou a ser confrontada diretamente: “Você é uma sem vergonha capaz de matar alguém. Isso não se faz, saúde das pessoas não é brincadeira”. A profissional, no entanto, passou a se esquivar das pacientes, bloqueando contatos, excluindo perfis nas redes sociais e se mudando de endereço.
Em prints divulgados por influenciadoras e perfis de denúncia, há informações de que Suelen estaria escondida na casa do ex-marido, nas proximidades da Unimed em Florianópolis, e já estaria planejando fugir para Belém do Pará, sua cidade natal. Print de uma passagem de ônibus no valor de R$ 324 também foi compartilhado, sugerindo uma tentativa de evasão.
As denúncias mobilizaram centenas de comentários indignados nas redes, tanto de vítimas quanto de pessoas que alegam já conhecer a conduta suspeita da mulher. “Ela de vez em quando arrumava uma coisa nova pra fazer, ora era cílios, ora aula de micropigmentação. De repente, apareceu fazendo preenchimento invasivo. E se formou quando? Como? Acho que nunca foi formada”, escreveu uma internauta.

O caso levanta uma discussão importante sobre a fiscalização de clínicas e profissionais autônomos na área de estética, especialmente em procedimentos minimamente invasivos, como preenchimentos com ácido hialurônico, que exigem formação e habilitação técnica específica.
Além dos riscos diretos à saúde, como infecções, necrose e reação alérgica grave, as vítimas relatam danos psicológicos profundos. “Acabou com a minha autoestima”, lamentou uma jovem que teve lábios deformados após a aplicação.
Até o momento, Suelen não se pronunciou publicamente sobre as denúncias. As vítimas pedem justiça e alertam outras mulheres: “Pelo amor de Deus, abram os olhos. Ela pode acabar matando alguém.”

A Polícia Civil já foi acionada e deve instaurar um inquérito para apurar o exercício ilegal da profissão, lesão corporal, estelionato e falsidade ideológica. O CRBM5 também confirmou que Suelen não possui registro como biomédica.
Quem tiver feito procedimento com a profissional ou tiver qualquer informação relevante pode procurar a delegacia mais próxima ou entrar em contato com o Ministério Público de Santa Catarina.
A denúncia completa está em apuração pelo Jornal Razão.


